domingo, 24 de dezembro de 2017

DEUS SE FEZ UM DE NÓS


(Solenidade do Natal do Senhor)

            “Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem. ‘Desperta, tu que dorme, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá (Ef 5, 14). Por tua causa, repito, Deus se fez homem” (Santo Agostinho). Tamanha é a importância da festa que celebramos hoje, que fizemos uma preparação de quatro semanas através do tempo que precedeu o Natal do Senhor que é o tempo do advento. Deus se fez um de nós e veio a este mundo por meio da simplicidade, aceitando nascer numa simples manjedoura.
            Celebramos com imensa alegria o Natal do Senhor Jesus. “Hoje na cidade de Davi nasceu para vós um Salvador que é Cristo o Senhor” (Lc 2, 11). Maria com o seu Sim deu a Luz ao Salvador do mundo. Não encontrando lugar para se hospedar, teve que procurar abrigo numa pequena gruta, em meio aos animais, como fazia muito frio na terra de Belém fora aquecido o menino-Deus pelos próprios animais e se acalentou no feno da manjedoura.
            O mistério que celebramos nesta dia é de estupenda maravilha. Podemos dizer como São Paulo: “Agora este mistério foi manifestado e, mediante as Escrituras proféticas, conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé” (Rm 16, 26). O mistério de um Deus tão grande que assumiu a nossa pequenez, se fez criança, habitou nossa humanidade se fez conhecido entre todos, pequenos e grandes, mas especialmente entre os mais humildes. Infelizmente em nosso tempo o aniversariante fica esquecido dando lugar aos presentes e ao Papai Noel. Precisamos resgatar o verdadeiro espírito do Natal, precisamos resgatar o Natal Cristão que está perdido neste emaranhado mundo capitalista do comércio.
O Natal do Senhor quer fazer de nós homens novos para construirmos um mundo novo, mundo no qual reine a Esperança e não o desânimo. O próprio Cristo quer nos mostrar que o caminho para que o Reino de Deus aconteça é o caminho da humildade, não o caminho da arrogância e do egoísmo como fizera Herodes com medo de perder o posto e seu poder de Rei. O verdadeiro Rei nasceu numa manjedoura em meio aos animais, nasceu na pobreza e viveu com os pobres, não nasceu em berço de ouro.
Por isso, é tempo de mudança, tempo de Esperança. O Cristo Senhor deseja também neste dia renascer no coração de cada cristão. Deseja que cada um de nós façamos deste mundo “a grande casa do Pão”, onde não falte o pão de cada dia a nenhum de nossos irmãos, onde todos vivamos em paz e em harmonia, onde haja fraternidade e mais igualdades entre as pessoas. A festa do Natal independente da religião é a festa do AMOR. Que aprendamos com o Cristo a AMAR cada vez mais e a fazer de nossa vida uma constante oblação de Amor. EIS O NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Feliz e Santo Natal Cristão a todos vocês.


Wesley Pires dos Santos


KALENDA DE NATAL

Transcorridos inumeráveis séculos da criação do mun-do
desde que Deus, no princípio, criou o céu e a ter--ra
e formou o homem à sua ima - - gem;
Transcorridos também muitos séculos/ desde que o Altíssimo, passado o dilúvio,
pôs um arco nas nu - vens,/ sinal de alian - ça e - de paz;
No século vigésimo primeiro da migração de Abraão__ ,/ nosso pai na fé__ / de Ur dos Cal - deus;
No século décimo tercei - ro da saída do povo de Israel do Egi - to,/ conduzido por__ Moi - sés;
Cerca de mil anos da unção__ de Davi co - mo rei;
Na sexagésima quinta sema - na,/ conforme a profecia de Daniel__
Na centésima no_nagésima quarta O – lim - pí___ - a - da;

No setingentésimo quinquagésimo segundo a – no/ da fundação de Ro__ - __ ma;
No quadragésimo segundo a - no do im__pério de Otaviano Augus - to,/ estando todo o mundo em paz_
JESUS CRISTO, ETER - NO DEUS__ E FILHO DO ETERNO PAI__,
querendo consagrar o mun – do/ com sua piedosíssima vin - da,
pelo Espírito Santo concebi - do,/ passados nove meses da concepção,
em Belém da Judeia, nas__ce, da Virgem Maria, feito homem:
Na__tal de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a carne.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

“QUANDO UM TRANQUILO SILÊNCIO ME ENVOLVE...” (Sb 18,14)

       
   
        Mas como pode o Senhor Jesus estar neste pequeno pedaço de pão escondido no Sacrário diante da minha presença, tendo ao lado uma luz pequena e vermelha sempre a fumegar como uma chama de fogo? Eis o grande mistério e milagre de nossa fé que ninguém pode desvendar a não ser a luz da fé. Eis que neste momento diante de Ti Senhor, me deparo comigo mesmo, ser de grandeza e de misérias, a contemplar o próprio Deus escondido no silêncio, neste pequeno pedaço de pão, eis que me sacio somente com o cantar dos pássaros e com o próprio silêncio que me envolve. Realmente não sei o que explicar, nem o que falar racionalmente. No entanto, posso testemunhar que é uma PAZ muito envolvente e um AMOR que sacia o fundo do meu ser. Posso ficar uma tarde toda estudando, lendo bons livros espirituais, jogando, ouvindo músicas, assistindo filmes, desenhos, estando nas redes sociais, etc. Tudo isso não me leva ao descanso, como quando em poucos minutos diante de Tua presença entrego toda minha vida, com tudo o que ela tem: alegrias, preocupações, medos e incertezas... Enfim, quando fatigado unicamente me entrego ao Teu Amor de Irmão e de Pai, amigo mais que fiel. Contudo, posso dizer que foram tantos desafios, tantas preocupações e angústias... Mas ainda assim, foram as vindas diante deste Tesouro de Amor escondido sob a espécie do Pão Eucarístico que me sustentou e me fez chegar até aqui e conhecer a verdadeira felicidade. Por fim, a única palavra que posso dizer é GRATIDÃO, porque nem mesmo as palavras são capazes de explicar o tamanho que é o AMOR de Deus por nós e o quanto Ele nos ajuda caminhando a nossa frente, ao nosso lado e até mesmo atrás, para nos defender. Com alegria, posso dizer que sempre é o Teu AMOR que nos sustenta.

O SILÊNCIO da ORAÇÃO nos envolve e nos leva a Deus e ao mais profundo do nosso ser nos dando palavras de GRATIDÃO. Por isso, resolvi partilhar este momento gratificante que eu tive nesses últimos dias em que caminho para a conclusão do curso de Filosofia. Somente tenho palavras de GRATIDÃO Aquele que me trouxe até aqui.



Wesley Pires dos Santos


Capela do Seminário de Filosofia
(Lugar durante esses três anos pude sempre me recolher em oração)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O MISTÉRIO DA MORTE


Comemoração dos Fiéis Defuntos

Ó mistério insondável, ó mistério difícil de desvendar. “É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto” (GS, 18). Assim é a realidade da Morte, mistério do qual nem mesmo a ciência foi capaz de mostrar de fato a partir da realidade empírica o que se passa após a morte, ou se a vida acaba com a morte. Neste sentido, proponho esta reflexão, no dia em que comemoramos todos os fiéis Defuntos. Comemorar é sem dúvida trazer a memória do nosso coração tantas pessoas que encerraram a sua trajetória neste mundo.
             Muitos devem se perguntar: porque comemorar o dia daqueles que já morreram? Podem pensar, tudo passa, nós passaremos, todos um dia morreremos e com a morte tudo encerrará. Por isso, dizem: vamos aproveitar a vida da melhor forma possível. Esse é um pensamento fatalista da morte, ou seja, viver o hoje da vida, sem a esperança de algo que está para além da realidade humana deste mundo, pensamento este que tem proliferado tanto em nosso mundo contemporâneo. Ao contrário, Comemorar todos os fiéis Defuntos, não é apenas lembrar para sentir tristeza ou cutucar uma ferida que dói. Comemorar é trazer a memória do coração todos os que já não se encontram mais junto de nós neste mundo, mas que de alguma forma com seus gestos marcaram a história de nossa vida.
            A tradição de se comemorar o dia de Finados remonta o século II da era cristã. Desde a origem do cristianismo em que se rezam nas catacumbas era costume se rezar pelas almas dos mártires. O dia 2 de novembro foi instituído para ordem beneditina, como dia de todos os fiéis falecidos pelo monge Odilo de Cluny em 998. Posteriormente, no século XII esta comemoração se popularizou no mundo cristão, sendo celebrada por todos.
            Alguns podem se perguntar por que rezar pelos que já morreram? E ainda afirma: tudo se acabou com a morte. Este é um argumento dos pensadores modernos. Penso que nosso Deus não é o Deus dos mortos, mas o Deus dos vivos, uma vez que, todos vivem para ele (cf. Lc 20, 38), ou seja, nosso Deus nos criou para a eternidade e não para este mundo, no qual finalizamos nossa caminhada com a morte. Por isso, todos os que morreram na justiça de Deus, se encontram sem dúvida junto Dele, pois o próprio livro da Sabedoria (Sb 3,1) nos garante que “A vida dos justos está nas mãos de Deus” e continua dizendo “Aos olhos dos insensatos, aqueles que pareciam ter morrido, e o seu fim foi considerado como desgraça. Os insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora estão na paz. As pessoas pensavam que os justos estavam cumprindo uma pena, mas esperavam a imortalidade” (Sb 3, 2-4).
Hoje somos convidados a rezar, portanto, por todos os nossos antepassados, bem como também todas as almas, principalmente as mais esquecidas, para que purificadas encontrem em Deus o seu refúgio. De acordo com a nossa fé, não só podemos, como devemos rezar pelos mortos, uma vez que, acreditamos que mesmo que tenham morrido em pecado, tem igualmente a chance de se purificar para entrar nas alegrias eternas, passando pelo purgatório (lembrando que céu, purgatório e inferno não é lugar, mas estado que a alma experimenta). A própria Escritura nos mostra esta realidade do purgatório: “No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro” (Mt 12, 32). Contudo, devemos rezar por estes que se encontram no purgatório cumprindo aquilo que nos mostra em Macabeus; “Eis por que [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado” (2Mc 12, 45).
Assim concluo, com o que disse Blaise Pascal (Pens., 781) “Jesus Cristo, redentor de todos’. Sim, porque ele ofereceu, como um homem que resgatou todos os que queriam ir a ele. Os que morrerem no caminho terão sido infelizes; mas ele lhes oferece a redenção”. Com isso, tenhamos sempre a esperança na vida com Cristo que está por vir, nunca percamos esta esperança, não é uma perca de tempo acreditar na Ressurreição. Conforme diz São Paulo, “Se Cristo não ressuscitou vã é nossa fé, se os que morrem não ressuscitam então somos testemunhas falsas de Deus” (cf. 1 Cor 15, 14-15). Por isso, vivamos bem na esperança de alcançar a vida eterna junto de Deus e rezemos por todos os que já partiram, para que eles também sejam nossos intercessores junto de Deus. No último dia poderemos enfim contemplar Deus face a face, tal como Ele é, e sermos convidados para o Banquete que nunca tem fim. Por fim, poderemos festejar juntos enquanto Igreja, novo povo escolhido e resgatado.

 “Nele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que crêem em vós, a vida, não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível” (Prefácio dos fiéis Defuntos I)



Wesley Pires dos Santos

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

APARECIDA: MÃE DO POVO BRASILEIRO


            Celebramos com amor e muita devoção a rainha e padroeira do Brasil. Há 300 anos no rio Paraíba do Sul ela aparecia aos três pescadores. Vale a pena lembrarmos desse pequeno detalhe. Não foi encontrada a imagem de Nossa Senhora, mas sim, usamos o termo “aparecida”. Tive refletindo sobre isso, e cheguei à seguinte conclusão. Nas diversas reportagens feitas e também em visita a cidade de Aparecida, percebi que o rio é muito fundo. Dessa forma, em meio à fundura ao lançarem as redes apareceu primeiro o corpo e depois a cabeça daquela que no futuro seria feita Rainha, Padroeira e Mãe de todo o povo brasileiro, povo mestiço de diversas raças. Aparecida é mãe de todos sem exclusão.
            Em uma tarde ensolarada do dia 12 de outubro de 1717, os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedrosos e João Alves, estavam todos apertados, apreensivos e cheios de temor. Por determinação da Câmara de Guaratinguetá, todos esses deveriam pegar o máximo de peixes possível para serem servidos ao Conde de Assumar, que estava em visita aquela região paulista. Estavam três pescadores, uma rede e uma barca, o rio não dava pra peixe, a dificuldade era tremenda. Quando sem imaginar, um milagre estava por vir, a graça de Deus já estava agindo, não apenas sobre esses pescadores, simples homens, mas sobre todo o Brasil. Ao lançar as redes pela primeira vez sem esperança, apareceu, uma imagem, depois, ao lançar novamente, apareceu à cabeça. Ao serem juntadas reconheceram que era uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Após apanharem a imagem, o milagre aconteceu às redes quase se rompiam de tamanha quantidade de peixes.
            Deste modo, acontecia uma manifestação tremenda de Deus, que se espalhou por toda a parte e envolveu todo o país. Por meio de três simples e pobres pescadores, Deus estava manifestando através de uma pequenina imagem, de cor negra, porque estava já há muito tempo evolvida pela lama do rio, imagem pobre e simples, assim como seus filhos brasileiros. Um grande sinal acontecia para o povo brasileiro, quando já não mais havia esperança. Um povo sofrido, escravizado. Maria aparecia como sinal de esperança e de libertação para uma nação sofrida e “enlameada”, pois era explorada pelos “grandes” dos países europeus.
            Salve Virgem de Aparecida, senhora da pele morena, da imagem pequena. Sinal da unidade do povo brasileiro. País este, como maior número de católicos. Esperamos oh Mãe querida, que todos os católicos sejam despertados para uma fé verdadeira, para um encontro de verdade com a pessoa de vosso Filho Jesus Cristo. Que sejam de fato cristãos autênticos, vivenciem o batismo recebido, sendo verdadeiros discípulos-missionários. Levando assim, a toda parte do nosso país a verdadeira esperança cristã, daqueles que nunca desanima, mesmo em meio a toda a situação que vivemos, de crise política, ética e dos valores. Mãe de Jesus e nossa mãe, nosso país vive um situação de desespero. Não sabemos onde iremos parar. Não deixe oh Mãe que nosso povo desanime, perdendo a esperança e a fé. São tantos os que estão desempregados, passando fome, sofrendo injustiças. Tantos os que ficam horas nas filas dos hospitais, esperando atendimento médico, tantos os que não têm nenhum grão de arroz para satisfazer a sua fome.
            Ás vezes não vemos diante de nós essas situação, mas não vemos porque estamos de “olhos fechados”. O sofrimento está mais perto de nós do que nós pensamos. São vizinhos, são tantos os que estão passando por momentos de dificuldades e tantos que estão afastados de Deus. Maria é com certeza esperança para todos os brasileiros.  Quando nos afastamos de Deus, Ela segura em nossas mãos e diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), fazendo-nos retornar para os braços misericordiosos de Deus.
Maria sempre nos aponta a Jesus. Por isso, celebrar os 300 anos de sua aparição nas águas turvas do rio Paraíba é sem dúvida celebrar o próprio Deus que se manifesta a toda nossa nação há mais de 300 anos. Assim, ainda hoje Deus nos convida por meio de Maria em seu belíssimo Santuário Nacional, a nunca perdermos a esperança. Deus nos acompanha em nossas lutas, em nossas dificuldades, em nossos sofrimentos, nunca nos desampara. Maria com seu amor de Mãe continua a nos cobrir com o seu manto de amor de mãe e nos convidando a estarmos sempre mais juntinhos com Jesus Cristo. São 300 anos de bênçãos derramadas pela Mãe a todos os seus filhos brasileiros. Termino, com as belas palavras do Papa Francisco em saudação ao povo brasileiro que vivemos este Jubileu dos 300 anos: "Aprendamos a nunca perdermos a ESPERANÇA...Confie em Deus, Confie em Nossa Senhora Aparecida... Deus sempre nos surpreende. O sorriso de Maria, estampado em sua imagem, seja sempre o sorriso do povo brasileiro que nunca perde a esperança e a fé."


Wesley Pires dos Santos


domingo, 3 de setembro de 2017

"BOA ESPERANÇA": O PEDACINHO DO CÉU!





Um lugar que nos recorda o paraíso, o cantinho do céu, rodeado por verdes matas, imponente e cheio de lembranças. Quem é “Mariano” não se esquece deste lugar tão especial. É desse lugar que desejo falar, não há descrições melhores do que estas. São muitas as pessoas que nasceram neste lugar e tantas outras que guardam inúmeras recordações boas. Boa Esperança é o nome deste lugar, não poderia deixar de registrar aquilo que durante toda essa semana tenho sonhado e lembrado.

A palavra Esperança vem do latim spes que significa confiança em algo bom, derivado do verbo latino sperare que dá origem a palavra portuguesa esperar, ou ter esperança. Por isso, não haveria palavra melhor para designar esta bela Fazenda construída no dia 7 de junho de 1936, e depois de vários anos tendo sido por fim, adquirida por Geraldo Pires do Carmo e Maria de Paiva Pires, esta nascida em Paiva e aquele nascido em Mercês. Constituiu nesta pequena Fazenda a família Pires do Carmo, criando os seus 13 filhos e também alguns netos. Pais cheios de virtudes, de grande fé, foram assim que instruíram os seus filhos, numa educação pautada nos valores e na fé católica.
Não tive a honra de conhecer os meus avós maternos, mas pude ouvir com alegria belos testemunhos de minha mãe e também dos tios. Tenho para mim, guardados em meu coração o exemplo maravilhoso dos meus avós e também sempre guardo uma foto para lembrar o exemplo de suas vidas, que foi uma vida de grande luta e foi com coragem e fé que conseguiram criar e sustentar esta bela família, sempre tendo em mente essa “Boa Esperança”. São estes dois os grandes alicerces para minha vida e também para a Família Mariano.
Guardo também viva em minha vida lembranças desta fazenda. Foi aí que no dia 4 de setembro 1958 nascia aquela que seria minha progenitora, Isaura Rosa Pires dos Santos. Segundo ela, “contava minha mãe que no momento em que eu nascia a Fazenda se encontrava em plena atividade, e naquele momento chegava um caminhão com os porcos...” (risos). Foram tantas as pessoas que viviam naquela Fazenda como empreitados. Às vezes passando pelas ruas em Senador Firmino, ouvi dizer de muitas pessoas que trabalharam juntos com meus avós. Além disso, eu pude ficar várias vezes hospedado naquela Fazenda, quando minha madrinha Inês era proprietária. Ia minha mãe e eu de ônibus de escola até o cruzeiro dos Moreiras, o resto a gente subia a pé até a Fazenda. Lembro de um momento inesquecível, quando subia minha mãe e eu o morro, eu levando um brinquedo de médico que era um carrinho, e disse para ela que meu sonho era um dia morar na Boa Esperança, e o resto minha mãe subiu contando sobre as histórias da Fazendo e dos meus avós e tios.
São tantas as histórias, lembro igualmente das minhas “missinhas”, quando meu primo Alessandro (in memoriam) acordava cedo para ajudar o José Geraldo tirar o leite, assim que clareava eu também levantava e ia para a varanda da Fazenda, rezar minhas orações, dar a benção, e não podia deixar, fazia também a procissão pela Fazenda, passando pelo curral para abençoá-los com uma imagenzinha de Nossa Senhora Aparecida, lembro direitinho como era. Outro momento inesquecível é o almoço da madrinha, que eu adorava principalmente o seu feijão inteiro, almoçava ouvindo o rádio MotoBras e também as histórias de quando o saudoso Padre José Maria Quintão Riveli (Pe. Zizinho) ficava hospedado na Fazenda e almoçava naquela cozinha, ficava ali para celebrar a Páscoa com o pessoal que vivia ao entorno. Por isso, tinha o quarto do Padre Zizinho, eu ficava encantado com as histórias, sonhando um dia ser como ele. Não esqueço também, quando à tardinha eu sumi... (risos), todo mundo ficou preocupado e me procurando, onde eu estava? (risos) dormindo no cocho da vaca. Por último, o dia do tatu, havia um “buracão” embaixo de um pé de mandioca, e fomos todos lá, eu todo empolgado com uma botinha, fomos para matar o tatu e para depois comê-lo. Não lembro muito bem o fim dele não, só sei que danaram a tacar água dentro do buraco, deve ser para ele sai para fora, só pode ser, o resto não lembro mais. Não poderia deixar de lembrar, do eterno som da “carneira” que ficava batendo a noite inteira e água só escorria era uma maravilha para dormir. Outro fato, era o momento do terço que aprendi a rezar também naquele lugar, juntava minha madrinha, minha mãe e eu e cada um rezava um mistério. Desde cedo, a Virgem Maria deseja cuidar de mim.

Foram tempos bons, que eu guardarei eternamente na memória, quantas coisas aprendi naquele lugar. Além, de tantas celebrações no Grupo Escolar, quando a comunidade se reunia para celebrar a Senhora do Carmo padroeira daquela comunidade, escolhida por causa do sobrenome do Sr. Geraldo Pires do Carmo. São lembranças que não poderemos deixar perder família Mariano. Eis o nome “Boa Esperança” que o Sr. Geraldo Mariano e Dona Maria de Paiva deixaram como lembrança e que estarão guardados para sempre na memória de um bom filho desta Família. Honrado por muitos, lembrando sempre do antigo delegado e juiz de paz de Senador Firmino e da tão honrada senhora, a piedosa Maria de Paiva, muito respeitada por todos, que deixa para nós o seu legado de amor e de devoção a Senhora do Rosário e a Virgem da Conceição. Ambos exemplos de pais protagonistas na criação dos filhos e que merecem nossa imitação. Só tenho a agradecer a Deus por ter dado a graça de nascer nesta família tão linda e tão cheia de esperança.

Wesley Pires dos Santos
Seminarista


sexta-feira, 21 de abril de 2017

SEMANA SANTA: Experiência de “permanência no Amor” (Cf. Jo 15,9)



Todo o mistério de nossa fé se fundamenta na Ressurreição de Jesus Cristo, acontecida segundo os relatos evangélicos três dias após a Paixão e Morte do Senhor, eis o ponto fulcral da Semana Santa. Para os seminaristas, aqueles que fazem uma caminhada de discernimento vocacional, desejos de aprender com o mestre que é vivo e ressuscitado, razão de nosso chamado; o evento de fé mais esperado é a Semana Santa, desde o início do ano letivo já esperamos ansiosos, a dita “nomeação” na qual determina o lugar para onde cada um será enviado.

Durante a Semana maior de nossa fé, a qual dizemos ser também um verdadeiro Retiro do Povo de Deus, nós seminaristas temos a grande alegria e também uma grande oportunidade de celebrar e aprender com o povo de diversas paróquias de nossa Arquidiocese. Assim, a cada ano somos enviados para uma paróquia diferente, conhecendo dessa forma diversas realidades de nossa Igreja Particular, se preparando assim, para o futuro trabalho a ser desempenhado pelo ministério que cada jovem deseja abraçar, aprendendo a ser, antes de tudo, verdadeiros cristãos.

Nós nos preparamos bastante tempo antes para viver bem esta semana maior. A preparação se inicia na elaboração dos tradicionais sermões que são feitos nas paróquias por cada um de nós (reflexões estas que muito nos ajuda e ajuda também o povo de fiel). É uma experiência incrível poder falar ao povo de Deus e momento de grande responsabilidade, sabendo que ali falamos em nome de Deus e da Igreja, tendo a plena confiança de que somos iluminados com as luzes do Espírito Santo.

A Semana Santa é esperada com grande ansiedade por todos nós. Todos após a Missa da Unidade, no Sábado que precede a Semana Santa, já viajam para as ditas paróquias. É um momento de muita fé e emoção, momento de conhecer pessoas novas e de formar novas amizades que levaremos para o resto da vida, além de formamos grandes amizades com os sacerdotes que nós auxiliamos.

Durante a Semana Santa deste ano de 2017, pude aprender muito com o povo da Paróquia de São José de Ressaquinha. A piedade e a fé do povo é algo que sempre me comove e me fortalece também na minha fé e no meu desejo de ser sacerdote. Ressaquinha tem um grande número de católicos e todos os dias presenciei como é grande a participação das pessoas nas celebrações e nas procissões, inclusive uma boa participação de jovens.

Encontrei lá um  povo de muita fé e de muita alegria, povo acolhedor (experimentei isso principalmente nas visitas às comunidades rurais e a alguns enfermos, pessoas que mesmo na doença e na pobreza se encontram com a fé e com o sorriso no rosto, prova da esperança, e lógico, não podia sair sem tomar o famoso “cafezinho”). Nas escolas um momento impressionante também, pude perceber como os jovens estão sedentos de Deus e querem saber mais e mais sobre a fé que professam e sobre aquilo que a Igreja prega em sua doutrina. Surpreendeu-me também a fala de um professor de Filosofia ex-seminarista que me disse uma palavra muito forte que levarei para o resto da vida, assim disse ele: “Para conversar com alguns padres hoje tem que ter tanta burocracia né! Não sejam assim, sejam acolhedores, não tenham barreiras para se chegar até vocês, os jovens precisam de uma palavra amiga”.

Enfim, a Semana Santa é sempre surpreendente, sempre volto revigorado na fé e na vocação, estar com o povo santo de Deus é sempre aprender mais e mais a ser verdadeiro cristão e a se preparar mais e mais para ser um bom presbítero, imitador de Cristo Bom Pastor. Que tendo vivenciado estes dias de celebração dos mistérios da Paixão e Morte de Nosso Senhor, estando agora celebrando este tempo novo que é a Páscoa, possamos ressuscitar com Cristo para uma vida nova, tornando homens novos, desejosos de se tornar verdadeiros discípulos-missionários de Jesus Cristo, aprendendo com Ele, para dar testemunho da boa nova da Ressurreição. Procurando assim, a cada dia se tornar cristãos verdadeiros e autênticos, comprometidos com a busca da santidade de vida, vocação a qual todos somos chamados a viver, antes de tudo.


Wesley Pires dos Santos
Seminarista




 

sexta-feira, 31 de março de 2017

ROMPA-SE A PEDRA SEPULCRAL: RESPLANDEÇA A VIDA


Jesus Cristo caminha conosco neste tempo quaresmal. Estamos num deserto árido, o caminho é longo, mas de forma alguma podemos deixar que a esperança por dias melhores acabe. Maria, Virgem de Aparecida, celebrando em todo nosso país o Ano Mariano, vivenciamos um grande caos, no qual vossos filhos estão sem sentido e sem rumo para onde caminhar.
É impossível pensar num Estado Democrático de Direito em que o Governo pede o nome de pessoas que estão à frente das manifestações para que sejam depois perseguidas (fato ocorrido na Ocupação das Universidades, no qual o Governo Federal solicitou o nome de cada aluno que estava na vanguarda do movimento, sabe-se lá para que). Impossível pensar num governo democrático que coloca a polícia na rua para impedir que manifestantes cheguem até o planalto, e muitas vezes manifestem. Que Democracia é esta que vivemos, onde quem influência a mente das pessoas, ou melhor, quem as manipula é a grande mídia (Principalmente a Rede Globo de Comunicação). Fazendo você pensar que tudo o que o governo faz é para o bem da nação, que os valores agora são determinados por cada um, ou seja, não há valores mais a serem seguidos.
O ser humano vive uma ética utilitarista em que cada um só vale enquanto produz capital para o Estado, ou ainda, cada um "vale" comparado com alguma mercadoria tendo valor financeiro. Prova disso, são as diversas leis que estão sendo aprovadas, como a Reforma da Previdência, a Terceirização dos trabalhos fins das empresas, além de leis que salvaguardam os políticos como o Foro Privilegiado. É um absurdo o que vivemos, estamos em um verdadeiro Estado de Exceção, sobre isso ressalta o filósofo Giorgio Agamben: “[...] o estado de exceção apresenta-se como a forma legal daquilo que não pode ter forma legal”. Não defendo que tenhamos que defender algum partido político, no entanto, chamo a atenção, pelo absurdo da “nossa” política brasileira, de que não há nenhum dos nossos parlamentares que esteja sem responder algum tipo de processo criminal. Exemplo disso é o que aconteceu no ano passado, o fato de fato anular aquilo que o povo fez que foi ir a urnas, votar e eleger diretamente os governantes do país, que posteriormente foi impeachmado por parlamentares de cuja integridade não pode ser tomada como exemplo.
Vemos claramente que Leis são contra a Lei, uma vez que a Constituição que rege nossa República foi construída em uma Democracia, salvaguardando o direito de cada cidadão, especialmente as leis de caráter social, feitas para melhor proteger os mais excluídos e marginalizados. Podemos nos perguntar como Agamben, que força tem a Lei em nosso País? Estamos vendo que quem está manipulando e decidindo tirar todos os direitos já conquistados pelo povo, tendo em vista de ajudar os banqueiros, os grandes empresários, é o próprio senhor presidente. Prova desses interesses é a Reforma da Previdência que deixa de fora três grupos, para que seja mais fácil corromper os mais pobres e prejudicá-los.
 Esta é a lógica do nosso mundo “capetalista”, quem produz mais, quem dá mais renda para o Estado fica dentro, o “resto”, se torna “resto”. Por isso, neste contexto podemos dizer que “Os direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio” (CNBB). Vivemos de fato num “beco sem saída”, para isso nos diz Blaise Pascal "A Verdade está tão obscurecida nesta época e a mentira tão assentada que, não amando a Verdade, não se pode conhecê-La”. Justamente porque os valores se perderam, a felicidade é buscada em tantas coisas menos na “fonte” de onde ela jorra. Jesus está do nosso lado para saciar nossa sede e preferimos ficar sedentos. Tomemos cuidado para não sermos levados pela mesma onda do engano e da obscuridade que ronda nosso país.
É triste perceber que além do mais, os que deveriam caminhar por outro caminho para guiar o ser humano a Verdade, preferem entrar na mesma lógica do mundo, falo principalmente das religiões que estão a nossa volta, a maioria tendo como interesse também lucro, prova disso, que em nossa política a bancada que mais cresce é a bancada evangélica. Religiosos Presbíteros não entrem nessa. Essas religiões, ao invés de esclarecer as pessoas, para levá-las a Deus, acabam manipulando e iludindo ainda mais e fazendo-as sofrer mais ainda.
            O POVO está sofrendo, estamos feridos e machucados, a “lama” está nos sufocando cada dia mais. Vamos anunciar de fato a Verdade para que o Reino de Deus aconteça entre nós. Jesus Cristo caminha com o seu povo, sofre com seu povo, não existe este jesus cristo, que está sendo fantasiado por ai a fora, que dá dinheiro, carro, chuvas de milagres na hora determinada pelo homem, e outras coisas,senão poderíamos pensar numa certa injustiça por parte Dele. O verdadeiro Cristo se faz sacrifício em nossos altares todos os dias pela Eucaristia e espera de nós um sacrifício diário, uma vivência autêntica do nosso batismo, nos tornando e esforçando para sermos seres eucaristizados. O verdadeiro Jesus morreu por cada um de nós e deseja que também Ressuscitemos com Ele para uma vida nova. Caminhemos sempre em busca da Verdade, Jesus Cristo, para podermos caminhar com firmeza, carregados pelas mãos Dele neste mar tempestuoso que vivemos, o nosso barquinho é frágil, mas tenho certeza que enfrentando o Titanic com Jesus, não afundaremos nunca. Lembremos que mesmo em meio à maré alta o Senhor caminha conosco. Não desistamos de manifestar em toda parte nossa “contrariedade” com tudo o que está acontecendo em nosso país, não podemos nos calar, tampar nossos olhos para isso.

Maria, Senhora de Aparecida, Rainha e Padroeira do nosso Brasil, mulher de cor negra olhe por nós vossos filhos que padecemos “neste vale de lágrimas”, fazei-nos enxergar a verdadeira Luz que é Cristo Ressuscitado. Concluo dizendo com Padre Zezinho “Que o povo seja forte na Fé, apesar dos problemas, e saibam que os milagres virão quando a gente se organizar. Que saibam viver a Verdade, junto e em comunidade, seja feliz no que diz e naquilo que faz, seja forte na Justiça e na Paz. Que a tua Igreja Santa e Pecadora Senhor, também se torne Justa e Libertadora. Que o nome de Jesus se torne cada vez mais, nossa Vida e nossa Paz.”

Wesley Pires dos Santos
Seminarista

Manifestação 31/03/2017- Senador Firmino-MG.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

CARNAVAL: FESTA DA CARNE OU FESTA DE ALEGRIA?


Estamos prestas a celebrar a festa popular mais querida do Brasil, o Carnaval. A palavra carnaval vem do Latim carnis vales, que quer dizer retirar a carne. A festa acontecia desde a antiguidade, quando prisioneiros se transformavam e viviam a vida dos reis durante os dias da festa, sendo constituída como uma festa pagã. Havia nestes dias uma mudança de papéis, ou seja, colocavam máscaras, para mudar o jeito de ser durante estes dias de festa; inclusive na mesopotâmia havia homens e mulheres que se transformavam, os homens vestiam-se de mulheres e vice-versa. Assim, era considerada também a festa das orgias, marcada pela embriaguez e pela busca dos prazeres, em honra do deus Dionísio, deus do vinho.
            Passado algum tempo, com o nascimento do cristianismo, tivemos uma aversão muito grande a esta festa, considerada como festa de orgias em honra aos deuses pagãos. Esta inversão dos papéis na sociedade, dito acima, era tido pela Igreja uma inversão da relação com Deus também, muitas vezes dando lugar ao demônio. Com o domínio da cristandade no mundo, as pessoas começaram a dar outro valor a esta festa. A data do carnaval é contada a partir da data da sexta-feira da paixão, na qual se olha o período da lua, vindo do calendário cristão gregoriano do século XVI. A festa tornou-se a “festa da carne”, ou seja, nestes dias os cristãos comiam bastante carne, segundo a tradição popular, se preparando para os dias de jejuns que deveriam viver durante o tempo quaresmal.
            No Brasil, a festa chegou ainda no tempo da colônia. O povo ia para as ruas brincar, se fantasiar, com isso deu-se inicio as festas do Frevo, Maracatu e outros. Depois o Samba, marchinhas também foram incorporadas ao Carnaval brasileiro, tornando uma festa com enorme especificidade da de outros países. Considerada a festa popular mais tradicional do país, o faz ser conhecido em todo mundo como país do Carnaval e do Futebol. A festa passou a ser um momento de descontração e de brincadeiras. Hoje em dia podemos contar no carnaval brasileiro com vários ritmos musicais, com várias escolas de samba e vários blocos de carnaval.
            Tudo isso, não foi diferente também na cidade dos meus “olhos” a Princesinha da Serra, situada na Zona da Mata Mineira, a cidade de Senador Firmino. Nosso povo desde tenra idade de vila, se reunia, para brincar esta festa nacional. Segundo consta a história, havia escolas de samba, dentre elas cito as que ouvi falar, o Sacarrolha e os Bambas. Durante o período acontecia os desfiles com carros alegóricos, samba enredo e tínhamos também os jurados e as escolas campeãs. Quem dera que pudéssemos voltar aos tempos de outrora, no qual as famílias se uniam para construírem juntas, esta bela festa.
Depois de alguns, já na contemporaneidade, quase na virada do milênio, no paroquiato do Pe. Luiz Faustino, tivemos também o bloco “Carnaval com Cristo”, o qual desfilava com músicas de acordo com o tema da campanha da fraternidade de cada ano. Lembro claramente deste período, no qual, pude também participar mesmo que pequenino. Ao chegar na praça Raimundo Carneiro, juntava aquela multidão, cantando para Cristo, “Vai sacudir, vai abalar, quando meu Jesus passar...”. Foi muito bom este tempo, quem sabe um dia ainda retorne.
Mas enfim, não estou aqui para fazer saudosismo nenhum com esta mensagem sobre o Carnaval. Ao contrário, desejo citar Dom Hélder Câmara, santo dos nossos tempos que falou sabiamente sobre o Carnaval: “Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Brinque meu povo querido! Minha gente queridíssima. É verdade que 4ª feira a luta recomeça. Mas, ao menos, se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!”.
Por fim, podemos dizer que o Carnaval é uma festa sadia e que muito nos alegra. Sejam dias de alegria e diversão, lembrando sempre da frase de São Paulo “tudo posso, mas nem tudo me convém”. O cristão deve se fazer presente nas praças, nos blocos, nas escolas de samba, nos matinês; enfim, deve se fazer presente nesta festa popular; dando testemunho que tem como estar no mundo e não ser do mundo. Ser de Cristo é também dar testemunho Dele nestes ambientes, porque aí muitas pessoas necessitam de nós, não para pregar, mas para testemunhar com a vida.
 É preciso se alegrar neste dias e mostrar que para isso, não é necessário, encher a “cara”, beber “todas”, se prostituir, nem usar qualquer tipo de droga. Ao contrário a alegria nos vem do encontro entre pessoas, nos laços de convivência e na alegria fraterna que esta festa nos trás. Que o Carnaval seja para todos nós cristãos, a festa da “carne” sim, não da carne dos prazeres desregrados, mas sim do encontro entre irmãos, nos preparando para depois vivermos profundamente o tempo propício de Deus, que tem muito a nos ensinar, que é o tempo Quaresmal.

Assim, lembrando os velhos carnavais firminenses que muito nos ensinou, trago a saudosa memória de todos nós firminenses este belo samba enredo abaixo citado, escrito por Dona Leonor Benedito para o Saca- rolha que conta a história de Senador Firmino. Que esta festa abrilhante nossa cidade sempre mais, sejam dias de paz e de encontro fraterno, dias de alegria, nestes tempos de grandes turbulências. Salve nossa cidade, Salve nosso Carnaval, que a faz conhecida por muitos como “Salvador Firmino”, tendo o melhor carnaval da região, com seus novos blocos, cito aqui o mais popular “SenaFolia”. Que nossa juventude aproveite bastante, lembrando que acima de tudo o que nos torna feliz não é o momento, mas a vida futura que está por vir. “E o Saca- rolha voltou, para contar a nossa história...”




 “HISTÓRIA DE SENADOR”-Samba enredo do Bloco “Saca- rolha”

“E o Saca- rolha voltou pra contar a nossa história
A história de Senador, terra de paz e amor
Os filhos de Borba Gato, Antonio Fernandes e Feliciano Cardoso
Se embrenharam pelo mato, viram Rio Turvo e vistoso
Levantaram Cabanas e plantaram um milharal
Aqui ficaram e fundaram um Arraial

De Rocha te batizaram, porque aqui encontraram
Ruídas Cachoeiras que borbulhavam de lindas pedreiras
Criança, o próspero Arraial, caminho dos Inconfidentes
Que fugindo do fisco de Portugal, levava o ouro a Tirandentes
Olha o tacho de Ouro, quem quer procurar
No Rio Turvo ainda pode encontrar

Procedente da Suíça, aqui chegou Padre Jacinto
Homem, Santo, Culto e amado
Que ensinou a este povo descuidado
Sua memória permanece, sua glória está presente
Quanta fé nos trás, este homem Santo e capaz

Que com sacrifícios, construiu linda Matriz
De Nossa Senhora Conceição do Turvo
Minha terra Natal, terra de paz e amor
Foste toda esta história e é hoje Senador”

Dona Leonor Benedito.
Melodia: Maury Arantes.



Wesley Pires dos Santos
Seminarista da Arquidiocese de Mariana.


domingo, 1 de janeiro de 2017

MENSAGEM DE ANO NOVO

   Hoje celebramos o Dia Mundial da Paz e podemos aqui transmitir um trecho da mensagem do papa Francisco para este dia que diz: "Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta «dignidade mais profunda»[1] e façamos da não-violência ativa o nosso estilo de vida." Sejamos pois portadores da paz em todo o canto do mundo e em todos os momentos. 
   Celebramos também a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus primeiro dogma Mariano dado no Concílio de Éfeso em 431, reconhecendo Maria como Mãe de Deus. Não porque seja maior que Deus, mas porque é Mãe de Jesus Cristo, que é Deus e Homem verdadeiro. "Ave oh Theotókos, Ave oh Mater Dei". Maria só foi agraciada porque disse SIM a vontade de Deus em sua vida e se abriu a graça do Seu Criador. Assim, neste novo ano que nasce,Maria seja exemplo para todos nós. Quando nos abrimos a graça de Deus tudo se transforma em realidade.
   Neste primeiro dia do ano podemos viver também mais um cumprimento da democracia brasileira. Os prefeitos e vereadores eleitos pelo povo, nos 5.570 municípios do nosso país, dentre eles 79 de nossa arquidiocese de Mariana, tomarão posse no dia de hoje. Pedimos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário que tomarão posse nesta Comarca de Senador Firmino que possam se comprometer em trabalhar para o bem do povo firminense fazendo de uma verdadeira POLÍTICA(trabalhando para o bem comum), seguindo o que nos diz o Papa "Digo mais: estou-lhes unido por crer e reafirmar, entre outras ideias, que “a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum”. Que todo cidadão firminense possa dizer neste dia "estamos juntos, por uma cidade melhor", independente de partido político.Trabalhemos juntos. E cobremos sempre dos nossos governantes, pois cobrar também é apoiar, sinal que estamos acompanhando de perto. Digo portanto a nova administração estamos unidos para trabalhar e edificar nossa cidade.
   COMPROMETAM-SE ANTES DE TUDO EM:
"1. Investir em políticas públicas que defendam a vida em todas as suas manifestações e que promovam a justiça social, priorizando ações governamentais que favoreçam a superação das desigualdades sociais e a qualidade de vida da comunidade.
2. Implementar políticas de saúde pública e de preservação e recuperação do meio ambiente, sobretudo ligadas ao saneamento básico.
3. Criar e apoiar ações voltadas à geração de empregos, acesso à educação, à saúde, à recuperação de dependentes químicos, à moradia, à terra, combate às drogas e melhoria da qualidade de vida das comunidades.
4. Zelar pela transparência e democratização dos poderes constituídos e pela participação efetiva dos conselhos municipais de direitos, fortalecendo a democracia participativa.
5. Elaborar e votar leis de interesse do povo e que levem à superação das graves situações de injustiça que afetam pessoas e comunidades mais carentes e empobrecidas.
6. Estimular o trabalho integrado entre os municípios vizinhos e seus regionais, para elaboração de projetos e políticas públicas comuns como educação, saúde e outros".

   Seguindo isso, trabalhando sobre a proteção de Deus, a intercessão de Nossa Senhora da Conceição do Turvo e do Padre Jacinto, junto com todo o povo, conseguiremos construir uma cidade melhor, mesmo em meio as crises que vivem as instituições do nosso País. Lembrando sempre que os governantes não são patrões ou chefes, mas sim servidores do povo(funcionário público). São lideranças que contam também com o auxílio de todos nós para os seus trabalhos.
    FELIZ E SANTO ANO DE 2017 A TODOS!