segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

MENSAGEM DE AÇÃO DE GRAÇAS pelos 80 anos de Emancipação Política da Cidade de Senador Firmino-MG.


Te Deum Laudamus Dei. A Ti ó Deus Louvamos pelos 80 anos da emancipação política do Município de Senador Firmino, e muito mais rendemos graças a Deus por intermédio da Virgem e Senhora da Conceição do Turvo pelos vários anos de história que tem essas terras firminenses. Já dizia o senhor José Sérvulo de Carvalho sobre o nosso povo e sua religiosidade: “Que nosso povo seja um dos mais religiosos da região é coisa de que ninguém duvida. Sempre vivemos em função da Igreja. Lá, o nosso começo com o batizado, nosso fim com a encomendação. A casa mais bela é o Santuário, o homem mais importante, Padre Jacinto Trombert. Ali, os nosso momentos mais alegres: as corações do mês de maio, os casamentos festivos, a festa do Rosário. O Jubileu, nossa festa máxima. É tempo de real júbilo, uma festa meio laica, meio religiosa”. Por isso, neste aniversário da nossa cidade, queremos comemorar com alegria estes 80 anos de emancipação também neste majestoso Santuário construído pelo saudoso Cônego Jacinto Trombert, aos pés de nossa Mãe a Virgem da Conceição que do seu trono sempre nos assiste com sua intercessão e com seu amor de Mãe, saudamos neste dia de forma especial a excelsa Rainha e Padroeira desta cidade de Senador Firmino. De forma especial rendemos graças a Deus nesta Celebração Eucarística por nossos antepassados que fizeram a história deste município progredir e que hoje junto de Deus se unem a nós por meio desta ação de graças. Nada mais justo é do que celebrar o aniversário de nossa cidade com esta Missa, maior ação de graças que podemos fazer a Deus, pois foi com as bênçãos Dele e sob o Manto Sagrado da Senhora da Conceição do Turvo que estas terras foi se desenvolvendo, foi sobre o olhar Dela e graças ao empenho e testemunho de virtude do Pe Jacinto Teófilo Trombert que aqui se amadureceu a fé dos firminenses, graças a tão belo testemunho que somos reconhecidos como uma das cidades mais católicas do Estado de Minas Gerais. Além disso, queremos reconhecer diante de Deus o testemunho e o trabalho de tantos outros que trabalharam e deram a sua vida pela edificação deste município, tantos prefeitos, vereadores, secretários e demais profissionais que com seu serviço digno e honesto edificam no cotidiano a vida de cada firminense. O que fazem os poderes constituídos o executivo, o legislativo, o judiciário, nada mais é do que um serviço prestado a comunidade firminense e para que todos cidadãos sejam bem atendidos de acordo com suas necessidades. Pedimos a Deus nesta celebração que haja em nossa cidade cada vez mais Paz, Harmonia e Fraternidade, que sejamos de fato irmãos e irmãs solidários uns com os outros. Afaste de nós qualquer pensamento egoísta e individualista e acima de tudo afaste de nós a corrupção, para que todos tenham vida e vida em abundância. Que os nossos governantes sejam de fato servidores do povo. Comemorar aniversário de nossa cidade é muito mais do que um marco na vida de cada cidadão, é sim, um momento de renovarmos diante de Deus nosso desejo para conquistar novos sonhos, novas realizações e continuar reescrevendo a nossa nova história, da qual cada um de nós que aqui estamos hoje somos responsáveis e construtores. Por isso, com orgulho devemos comemorar o aniversário do nosso município e, sinceramente, quem também merece ser parabenizado é o povo de Senador Firmino, a nossa Princesinha da Serra. Senador Firmino, cidade de um povo de fé, hospitaleiro e trabalhador que tem em sua história muitas lutas. Desejamos que cada munícipe seja um ponto de apoio nesta construção diária, com valores sólidos que ajudem a preparar as crianças e os jovens para esse processo contínuo de transformação. Semear ações e colher conquistas, buscando no presente o futuro!Desejamos que as conquistas da nossa comunidade sejam sempre crescentes, demonstrando que somos nós que fazemos o amanhã e que nossa perseverança é a luz que ilumina o caminho rumo a uma Senador Firmino melhor, a uma Princesinha da Serra mais reluzente de beleza. Parabéns a todos que diariamente cumprem sua missão, contribuindo assim com o desenvolvimento do Município; buscando sempre novos projetos e aceitando o desafio de fazer uma Senador Firmino que tanto sonhamos. Que Deus continue abençoando nossa terra, nossas famílias e nossos governantes. Que a Virgem Maria, Senhora da Conceição do Turvo ampare a cada firminense onde quer que esteja e nos auxilie com seu amor de Mãe. Ó Senhora da Conceição do Turvo, padroeira desta terra querida, ouvi hoje ó Mãe de Bondade as preces desta comunidade. Por fim, nesta solene ação de graças queremos renovar a nossa fé e renovar a consagração da cidade de Senador Firmino nestes 80 anos ao Coração Imaculado de Maria cantando a Consagração.

Seminarista Wesley Pires dos Santos

terça-feira, 2 de outubro de 2018

SER JOVEM, SEM DEIXAR DE SER DE DEUS!


            
            Estamos prestes a iniciar na Igreja um Sínodo com a temática específica sobre a Juventude, a partir da reflexão: “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”. Papa Francisco volta o seu olhar de pai, pastor e amigo, especialmente a nós jovens e deseja nos escutar para que a partir disso a Igreja possa traçar metas e pistas que favoreçam o próprio rejuvenescimento deste mesmo corpo de Cristo através da escuta atenta aos mesmos jovens. Em meio a este mundo globalizado e conturbado envolto por mudanças rápidas, nos perguntamos: É possível ser jovem sem deixar de ser de Deus?
            A reviravolta científica trouxe grandes avanços à humanidade, e igualmente trouxe consigo grandes perigos ao próprio homem, marcado também pela fragilidade e miséria. No entanto, o homem que se sente agora o centro da humanidade, por sua auto-suficiência, pensa-se alcançar tudo por meio do cientificismo. A ciência tornou-se parâmetro para julgar os valores fundamentais do homem e sua história, e até mesmo a própria existência de Deus. Com isso, este mesmo homem moderno deixa Deus de lado, e até mesmo declara a “morte de Deus”. Perdendo o seu único fundamento, não consegue por si só o equilíbrio que irá dar suporte a sua vida e muito menos encontrar este sustento em outros que estão a sua volta. Deve-se reconhecer em sua real condição. Somos grandeza pela Razão que nos fez alcançar o progresso das ciências. Contudo, somos também miséria, fragilidade, somos limitados e necessitados deste Deus que deixamos de lado.
 Em um curto período de tempo, muita coisa se transforma na vida do ser humana, especialmente em nossa época. Desta forma, podemos dizer que não vivemos em uma época de mudanças, mas uma mudança de época. Conforme exprime o Documento de Aparecida: “Vivemos em uma mudança de época, e seu nível mais profundo é cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus; ‘aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Que exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas” (DA. 44)
 Tudo muda muito rapidamente e às vezes nem conseguimos viver e refletir bem sobre o momento e muito menos conseguimos acompanhar a mudança. Isso acontece tanto, para os adultos, bem como também para crianças e jovens. Por isso, nossa época é marcada por tantas incertezas e tantos medos. Nossa juventude é marcada pelas doenças psíquicas mais agudas, como depressão, síndrome do pânico, causa dessa insegurança e dificuldade em assumir a vida em si mesma. Daí a necessidade do Discernimento vivenciado a luz da Fé para as decisões e escolhas sobre a nossa vida, como propõe a temática do Sínodo da Juventude.
            A hiper tecnologia ajuda neste processo de transformação mundial por meio da globalização que afeta a todos, ricos e pobres, crianças, jovens e adultos. A felicidade é paradoxal como bem retrata em sua obra Gilles Lipovetsky. Ao mesmo tempo em que a pessoa se sente feliz e realizada por ter algo: um smartphone, um tablet, uma televisão, ou demais tecnologias de última geração. Somos sempre induzidos e manipulados pelos meios de comunicação, a adquirir mais e mais. Além disso, a indústria farmacêutica lucra abundantemente, porque os remédios nunca foram tão procurados como agora, mesmo diante das mínimas dores. O mesmo homem é estimulado a ser um “Super-Homem” nas mesmas delineações ditas por Lipovetsky. A auto-suficiência toma posse deste homem egocêntrico, que quer se livrar de toda maneira de reconhecer a sua real condição e durante toda a sua vida está a fugir de si mesmo. Os jovens que fazem parte desta geração “hiper conectada” são os mais afetados por estas situações, marcados por medos e inseguranças do futuro que esta por vir. Por isso, sentem na “pele” a dificuldade em assumir as responsabilidades da vida, dificuldade em discernir sobre si e suas escolhas. 
A passagem a vida adulta exige acompanhamento dos pais, dos familiares e das principais instituições, que estão à volta de nossos jovens. Porque, justamente neste período é tempo também do jovem construir a sua real identidade. Para isso, é necessário sentir também suporte e abertura por meio destes que fazem parte de sua existência. Todavia, é preciso que haja sempre liberdade, para que os jovens na liberdade de sua consciência façam suas escolhas a partir de um discernimento maduro. Não se sintam de forma alguma pressionados ou até mesmo forças externas tentem desconstruir tudo o que foi sendo construído desde a infância. Como vem acontecendo nos últimos tempos, tantos que deixam seus lares, suas famílias, suas cidades para adentrarem no mundo universitário e acabam facilmente sendo induzidos ou pressionados por forças externas. Por não terem edificado bem suas convicções, acabam transformando seus ideais e valores a mercê de um mundo secularizado e plural onde não há um fundamento definido. Com isso, são influenciados por novas filosofias e acabam deixando de lado tudo que fora construído desde a infância.
Diante disso, a Igreja não cansa de ressaltar a importância dos pais na formação integral dos filhos. Os pais são os primeiros educadores e catequistas, os primeiros passos na fé são dados juntos aos pais. O primeiro alimento, a “papinha” é dado pelos pais, depois é fortalecido pelas instituições como a Igreja, a Escola e Universidades. No diálogo os pais devem fornecer este suporte aos filhos. Deixando com que as decisões possam ser tomadas pela liberdade do discernimento, longe de pressões ou mesmo definirem o futuro vocacional dos filhos.
O grande problema é que muitos pais, não estão assumindo a responsabilidade sobre a formação dos filhos, tanto na fé, como na educação. Isso, cada vez mais está sendo transferido para as instituições. Desta forma, muitos dos nossos jovens acabam não construindo de fato a base fortalecida que irá ser o sustento em sua existência. Aqui está o grande perigo que incorremos. Justamente, por isso, acabam se perdendo facilmente em dizeres falaciosos que tiram todo o suporte de suas vidas sem dar a eles de fato um novo fundamento, um pilar onde se apoiar. Assim sendo, muitos que não encontram este suporte nas famílias e demais instituições, acabam buscando na violência, nas drogas, numa sexualidade desintegrada, no mundo virtual, meios para construir o que não fora construindo antes, buscando sempre um sentido para vida.
No entanto, se você pensou estar num mundo sem saída, você errou! Pelo contrário, somos jovens, marcados igualmente por sonhos, por desejos ardentes de construir um mundo novo a nossa volta, queremos ser protagonistas deste mundo sonhado por Deus. Muitos por ai, principalmente no meio universitário declara em sua ignorância que é ultrapassado, ou que é brega acreditar em Deus e seguir alguma religião. É preciso mostrar a eles com nosso testemunho de cristãos autênticos que uma coisa não anula a outra. Deus não anula a Liberdade humana, como muitos pregam por ai. A verdadeira felicidade, não aquela transitória que está no sexo, nas bebidas, nas festas, nas baladas, mas a felicidade plena só pode ser encontrada de fato em Deus, fundamento do ser criado que é o homem.
 É possível ser jovem, sem deixar de ser de Deus. É possível estar no mundo, ir a uma festa, ser universitário, sem deixar de ser de Deus. É possível sermos protagonistas deste mundo novo, um mundo com mais fraternidade, cheio de paz e amor, cheio de partilha, onde ninguém seja excluído, sem violência. É possível sermos Igreja Jovem, porque a Igreja está de portas abertas para nos escutar, para nos acolher, porque esta Igreja somos todos nós. É possível fazer desta Igreja um rosto jovem, quando decididamente dissermos: Eu sou Jovem, Eu sou Igreja católica, Eu sou Igreja de Cristo. Somos marcados pela Esperança que vem de Deus e que quer fazer de nós seus discípulos-missionários. Façamos, pois, a diferença. Mostrando nossa verdadeira força.

Wesley Pires dos Santos



quarta-feira, 1 de agosto de 2018

JUBILEU: TEMPO DE GRAÇA E DE CONVERSÃO



Vivenciar um Jubileu é de fato vivenciar um tempo de graça para nossa vida. Como diria o teólogo alemão Jürgen Moltmann: “podemos entender o Jubileu como antecipação do reino de Deus na história.”[1] O Jubileu de Nossa Senhora da Conceição do Turvo em Senador Firmino é um momento oportuno para tal experiência de fé. São poucas as cidades no Brasil que tem o privilégio de celebrar um Jubileu reconhecido pela Santa Sé, por meio do qual a Igreja concede aos seus fiéis a Indulgência Plenária. Eis que Senador Firmino tem esse grande privilégio. Provavelmente é um dos Jubileus MarianoS Perpétuo mais antigo do Estado de Minas Gerais completando neste ano 119 anos de festa. Para isso, vale à pena refletirmos um pouco o que é o Jubileu e como este acontece desde os tempos bíblicos.
Primeiro vale ressaltar que no tempo do Jubileu a graça de Deus atua de maneira mais intensa na vida do seu povo. Por isso, dizemos que o Jubileu é de fato um tempo de graça, um tempo no qual a misericórdia de Deus se derrama com abundância sobre os seus filhos e filhas, é um tempo de remissão, tempo de conversão. Percebemos isso, desde o Antigo Testamento quando encontramos a promulgação da lei do ano do Jubileu em Levítico capítulo 25 v. 8-11: “Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas de anos serão quarenta e nove anos. Então, no mês sétimo, aos dez do mês, farás soar a trombeta vibrante; no dia da expiação; fareis soar a trombeta em toda a vossa terra. Santificareis o ano qüinquagésimo e proclamareis uma libertação na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu: cada um de vós voltará a sua posse e cada um de vós ao seu clã. O qüinquagésimo ano vos será jubileu; não semeareis, nem segareis o que nele nascer de si mesmo, nem nele colhereis as uvas das vinhas não podadas.”
O termo Jubileu tem sua origem na palavra hebraica yobel que tem a ver com o chifre do carneiro que era tocado anunciando este ano. De sete em sete anos era celebrado o ano sabático e no qüinquagésimo ano era celebrado o ano do Jubileu. O termo tem a ver igualmente com o “trazer de volta”. Porque durante o mesmo ano era concedido aos escravos à liberdade, voltando a sua condição originária, mostrando assim, que eram servos apenas do seu Criador, igualmente eram devolvidas as terras a seus donos, e durante este ano, havia também o descanso das terras por causa das colheitas, alem de várias outras prescrições. Contudo, o ano do Jubileu era considerado o ano do perdão das dívidas, o ano da remissão. Conforme o livro do Levítico capítulo 25, neste ano deveria haver várias transformações e libertações, restituindo a igualdade entre os filhos de Deus. O ano do Jubileu é considerado, portanto, como um meio para Deus intervir na história humana.
Na história da Igreja Católica o primeiro Jubileu foi celebrado em 1300 no pontificado de Bonifácio VIII. No espírito das Cruzadas eram determinadas aos fiéis as peregrinações a lugares Santos com o espírito de penitência e conversão. A Igreja concedia assim, o perdão dos pecados desde que o fiel tivesse o intuito de conversão pelas orações e boas obras. Bonifácio desejava que esse Jubileu fosse celebrado a cada 100 anos. No entanto, outro papa provavelmente Clemente VI mudou esta data para cada 50 anos para que todos as gerações pelo menos uma vez na vida celebrasse o Jubileu. Contudo, Paulo VI em 1470 fixou o intervalo de anos para 25, o que seguimos até hoje. Essas, portanto, são as datas fixadas para os Jubileus Ordinários, podendo, todavia, conforme promulgação dos papas acontecerem Jubileus Extraordinários, como foi o Jubileu da Misericórdia.
Neste sentido, a Igreja dá um caráter mais espiritual ao Jubileu judaico. Por meio, do Jubileu a Igreja, como instrumento de salvação e dispensadora da graça de Deus concede aos fiéis a Indulgência Plenária. “A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, (remissão) que o fiel bem-disposto obtém, em condições determinadas, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos Santos”[2].
Algo peculiar acontece em várias cidades do Brasil, por influência portuguesa, são as Festas dos Padroeiros se tornarem Jubileus, chamados de Jubileus Perpétuos, que são poucos. Dentre essas cidades está o Santuário de Nossa Senhora da Conceição do Turvo em Senador Firmino que há 119 anos celebra o seu Jubileu. O Jubileu iniciou em 1899 e foi promulgado pela Bula Institucional do Jubileu no ano 1900 pelo Papa Leão XIII, mas antes de 1870 durante estes dias já acontecia às chamadas “Missões” realizadas pelo Padre Pedro Ayme. Para que se torne um Jubileu Perpétuo é necessário fazer um pedido a Santa Sé para que conceda aos fiéis a Indulgência Plenária durante as festas de seus padroeiros ou circunstâncias especiais de grande fluxo de peregrinações ao Santuário, sem que precise mais renovar o pedido.
Com o aumento do fluxo de romeiros que todos os anos eram atraídos a Conceição do Turvo, foi concedida esta graça ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição do Turvo que fora revestido com os mesmos favores da Santa Casa de Loreto (Santuário construído sobre a Casa de Nossa Senhora em Loreto na Itália). Somente o Romano Pontífice[3] pode conceder a Indulgência Plenária e quaisquer fiéis as podem lucrar para si mesmo ou para as almas do purgatório[4]. O desejo das Indulgências é incutir nos fiéis o desejo de sanar os pecados e buscar a prática da caridade.  
O Jubileu é um tempo oportuno para vivenciarmos mais profundamente a graça de Deus, é um verdadeiro Kairós. Diria que é um tempo do derramento da Misericórdia de Deus sobre nós. Para lucrarmos a Indulgência Plenária é necessário visitar o Santuário de Nossa Senhora da Conceição com o firme propósito de conversão, receber a Confissão Sacramental e a Eucaristia, e rezar a Profissão de Fé, a Oração do Pai-Nosso e Ave-Maria na intenção do Santo Padre o Papa e da Igreja.
Durante os primeiros quinze dias do mês de agosto a cidade de Senador Firmino, antiga Conceição do Turvo se transforma em um verdadeiro céu, lugar de preces e de orações que sobem a Deus mais intensamente durante todos esses dias. Devemos tudo isso ao saudoso Cônego Jacinto Teófilo Trombert, grande amigo de Deus como bem diz o nome “Teófilo”, fiel servidor do Evangelho e virtuoso sacerdote, que empreendeu todas as suas forças para a edificação do belíssimo Santuário dedicado a Nossa Senhora da Conceição e que igualmente lutou para que nestas terras acontecesse perpetuamente o Santo Jubileu dedicado a Ela, pelo qual todos os fiéis podem lucrar abundantes graças de Deus.
Encerro com as palavras de Mozart Bicalho compositor do hino da cidade: “Senador Firmino, aos 15 de agosto, do céu és um posto de meditação. Corações eleitos, almas piedosas, preces carinhosas, com veneração. E quanta saudade, do Padre Jacinto, o povo distinto, sente com razão, benfeitor e justo, anjo de bondade, de nossa cidade o maior brasão”. Nunca percamos de vista esta saudosa memória. Só consegue desbravar novos mares e oceanos, aquele que nunca se esquece de onde saiu nunca se esquece de suas raízes. Eis uma riqueza inestimável que conta em nosso município, um povo de fé, um povo humilde e trabalhador, um povo festeiro. Aproveitemos este tempo de graça que Deus nos concede, aproveitemos este Retiro do Povo de Deus que é o Jubileu, tempo de graça e de conversão.

Wesley Pires dos Santos
1º de Agosto de 2018
119º Jubileu de N. Sr. da Conceição



 


[1] REIMER, Haroldo; REIMER, Ivoni Richter. Tempos de Graça- O Jubileu e as tradições Jubilares na Bíblia. São Leopoldo: Sinodal: CEBI: Paulus, 1999, p.15
[2] CATECISMO DA IGREJA CATOLICA §1471.
[3] CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO §995.
[4] CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO §994.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O VERDADEIRO AMIGO




Dia do Amigo é todo dia sabemos muito bem disso. Mas de forma especial celebramos neste dia 20 de julho o Dia Mundial do Amigo. Poderíamos perguntar: Mas porque uma data específica para celebrar o Dia do Amigo, isso tem que ser todo dia. Disso sabemos que é verdade. No entanto, isso não exclui o valor incondicional de se dedicar um dia especificamente para tal comemoração. Diria ainda mais, que seria uma grande Solenidade que deve ser celebrada com grande pompa. Principalmente, no mundo individualista e egocêntrico em que vivemos, no qual cada um só pensa em si mesmo e esquece de olhar para o lado, e perceber pessoas boas que podem ser auxílio em sua caminhada, para que a vida seja vivida com mais suavidade e leveza.

A própria Palavra de Deus nos mostra o quão imenso é o valor de uma grande amizade. Gostaria de começar pela que mais me toca. No Evangelho de Marcos capítulo 15, versículo 21 diz: “Passava por ai um homem chamado Simão Cirineu, pai de Alexandre e Rufo. Ele voltava do campo para a cidade. Então os Soldados obrigaram Simão a carregar a cruz de Jesus.” Penso que esta passagem exemplifica muito bem a imagem de uma amizade verdadeira. Jesus estava a caminho do Calvário, estava dando sua última caminhada deixando cravado pelo caminho por meio de seus passos toda a sua história e estava só, uma vez que, até mesmo os seus discípulos o havia deixado, menos João, o discípulo amado, sua mãe e algumas mulheres. Mas eis, que neste caminhado um camponês, desconhecido de Jesus é obrigado a carregar a cruz, para ajudar aquele que se tornaria o seu mais novo e único amigo. Os olhares se entrelaçaram e aquele encontro foi de fato um encontro de toda uma vida, para toda a vida. A vida do camponês Simão Cirineu se transformou de uma vez por toda, com o olhar de Amor e Misericórdia, e com isso, continuou o caminho para cruz junto ao seu mais novo amigo, o ajudando a carregar aquele pesado fardo que salvaria toda a humanidade de seus pecados.

O verdadeiro amigo é presente dado por Deus. A bonita passagem em que Jesus chama os seus discípulos de amigos em João capítulo 15, versículo 15 diz: “Eu já não vos chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que o seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos” e diz ainda no versículo anterior, versículo 13: “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos”. Eis o maior exemplo de como deve ser nossa Amizade. Amizade é doação, o Amor se resume a isso, a doar a vida pelo outro. O verdadeiro amigo é aquele que caminha conosco seja na alegria, seja na farra, seja na tristeza ou na desolação. Já dizia Fernando Pessoa: “Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.”

Ser amigo é isso, é ser também irmão. O amigo verdadeiro é o que pode te ver com o rosto bonito, mas também com o rosto desmazelado, mesmo assim ele é capaz de permanecer do seu lado para te ajudar a carregar a Cruz. É aquele que mesmo não sendo sangue do seu sangue, consegue derramar o sangue por você. Mas, lembre o amigo não é feito para carregar a cruz para você, mas para ser apoio. Como bem diz o livro do Eclesiástico capítulo 6, versículo 14-17: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá também uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante”. Os amigos são presentes de Deus para nós, são pérolas preciosas que devem ser cuidadas e preservadas. Nunca se esqueça de dizer ao seu amigo o quanto o ama, abrace, perdoe sempre, ame mais, sorria mais, bagunce mais. Contudo, leve a vida com humor e leveza, partilhando cada momento com eles, sejam os felizes, sejam os de grandes dificuldades. Feliz Dia do Amigo.

Wesley Pires dos Santos



terça-feira, 10 de julho de 2018

A DEFESA DA VIDA DESDE A SUA CONCEPÇÃO



Ousadamente surge diante de nós discursos relativistas que consideram o ser homem não como fim em si mesmo, mas apenas como meio para se alcançar outros objetos que sejam do interesse de uns poucos, e ao invés de debater e buscar uma reflexão mais abrangente, antes de tudo querem ridicularizar os que são contra tais pensamentos. O grande risco que corremos em tempos hodiernos é da volta a um ideal nazista, uma doutrina perfeccionista, da qual seleciona os melhores e mais perfeitos e descarta os que de forma alguma terá utilidade no mercado. Eis o grande ideal que busca alcançar uma sociedade que vive em prol de uma economia excludente. É neste contexto que se insere sutilmente os argumentos pró-aborto e sob o qual muitos cristãos católicos acabam entrando em defesa sem antes mesmo uma reflexão aprofundada sobre tal questão e até mesmo um estudo do que de fato a Igreja defende e prega.

Já dizia o filósofo e sociólogo alemão Jurgen Habermas, que a seleção dos melhores retira do sujeito sua autonomia e sua liberdade de poder decidir sobre sua própria vida e o poder ser si mesmo, existindo ou não. O mesmo podemos utilizar contra o Aborto. O homem, assumindo a sua independência na modernidade, passa a querer ter as chaves da criação, tomando o lugar do Criador. Com o avanço da biotecnologia, as intervenções científicas sobre a vida humana ganham cada vez mais força. Infelizmente, vivemos em uma cultura do descartável e do querer o direito de decidir sobre a vida de outrem, tudo em prol da técnica e do capital.

Muitos pensam que a solução para proteger a mulher e seus direitos seja o aborto. Infelizmente, este é um dos vários argumentos daqueles que defendem a legalização do aborto. "Meu corpo, minhas regras", assim querem defender o direito da mulher em escolher sobre a vida que está sendo concebida dentro de si. No entanto, se esquecem de que o feto que ali está sendo gerado, já é outro corpo e tem suas regras próprias. Contudo, se considerar este feto como parte do corpo feminino, deve-se igualmente considerar o aborto como uma mutilação.

Eis um pensamento antropocêntrico e moderno, no qual o ser humano, ser egocêntrico e individualista só pensa em si e tratam os demais como meros objetos de consumo a seu bel prazer. Por isso, querem até mesmo interferir no material genético como meio de manipulação em prol de uma Eugenia que seja conforme o interesse de uns poucos. É um risco pensar que a legalização do aborto iria resolver todos os sofrimentos de mulheres que acorrem a Clínicas clandestinas todos os dias. Infelizmente, por traz desta defesa está com toda certeza a influência grande do “Capitalismo Selvagem” que sai ganhando em cima disso tudo, como bem demonstra o documentário "Blood Money - Aborto Legalizado". Contudo, sabemos que por detrás da defesa dessa legalização está o intuito de grandes empresas do mercado que querem manipular em vista de ganhar mais e mais.

O que desejamos defender é a Vida, tanto a vida da criança que está sendo gerada, bem como da mãe que está gerando. O Aborto traz conseqüências terríveis às mulheres igualmente, ferindo o ser humano em sua dignidade. De igual maneira, disse o Papa Francisco: “Cada ser humano descartado é uma derrota para toda a humanidade.” Além disso, continua o Papa em sua Exortação apostólica Evangelii Gaudium, n. 213-214: “Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridicularizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e, no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. […] Não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?”

Por fim, concluo expondo aqui os parágrafos 2270 e 2271 do Catecismo da Igreja Católica que diz: "A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: "Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido. Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. “Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis.” Tudo isso, para refletirmos mais sobre a Vida e a defesa da Igreja. Que sejamos nós cristãos os protagonistas de um mundo novo, um mundo que não exclua ou descarte nenhum ser humano, mas que todos sejam irmãos e irmãs e sintam amados e respeitados em sua dignidade.

Wesley Pires dos Santos







sexta-feira, 11 de maio de 2018

O MÊS DE MARIA: desde Conceição do Turvo a Senador Firmino




As coroações e homenagens a Virgem Maria no mês de maio é uma antiga tradição que remonta o século XIII, quando São Felipe Neri começou as homenagens a Maria durante o mês de Maio, ofertando a ela belas flores, já que na Europa neste período é Primavera. Fazia-se isto, considerando a Virgem Maria, como a rosa mais bela do jardim de Deus. De igual maneira, esta tradição foi se espalhando por toda a Europa, e se fortificou no século XIV, em Paris na França. A tradição chegou ao Brasil por meio dos Portugueses, trazendo já o costume de se corar a Imagem de Nossa Senhora, reconhecendo-a como Rainha do Céu e da Terra, sendo ela igualmente Mãe do Rei Jesus Cristo. Essas celebrações foram bem acolhidas pelas Minas Gerais, se espalhou rapidamente, se tornando tradição nas terras mineiras. 

Em nossa Arquidiocese de Mariana a tradição chegou por volta do ano de 1850 quando Dom Viçoso trouxe para Mariana a Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo para formar e educar as moças, fundando assim a primeira escola feminina de Minas: o Colégio Providência. Nas escolas católicas, ao longo dos séculos, gerações aprenderam os valores da fé com a vida dos santos, com as celebrações, através dos teatros, das reflexões e, além disso, igualmente a devoção a Virgem Maria ensinada pelas filhas da Caridade. Segundo alguns relatos, durante o mês de maio as moças do colégio homenageavam a Virgem Maria com as coroações. Tradição esta, muito forte também na França onde a Congregação foi fundada. Desta forma, a tradição foi se espalhando e ganhando força em todo o território da imensa Arquidiocese de Mariana, chegando igualmente em Conceição do Turvo.

Em Conceição do Turvo o mês era celebrado com toda pompa e solenidade, isso nos conta Pe. Miguel Fiorillo em seu livro "Senador Firmino conta História": “O mês de maio em Conceição do Turvo se transformava em grande acontecimento. Todas as noites havia rezas, Missa e coroação da Imagem de Nossa Senhora da Conceição. A corporação Musical comparecia à casa dos coroadores e os levava em procissão até a Igreja, era uma apoteose, dependendo da condição da família. Em seguida aos atos religiosos acontecia o leilão todas as noites, e no último dia do mês uma magnífica festa que animava toda a Vila.

Durante o mês de maio acontecia um concorridíssimo leilão com grandes variedades de prendas: doces, frutas, salgados, trabalhos artesanais e etc. Os leilões eram arrematados; quando frutas, eram dadas para as crianças e quando se tratava de um donativo de mais valor era arrematado e levado para casa. E quando era uma prenda vinda de casa de algumas das belas moças de Conceição, os namorados ou pretendentes disputavam-nas lance por lance para fazer média diante da pretendida, e enquanto isto a Banda de Música entoava os mais belos dobrados que eram somados ao valor da prenda.Na véspera da festa entusiasmo total, procissão da Bandeira, Rezas, Missas, Pregação e levantamento do Mastro, e no outro dia, dia da festa, alvorada festiva a partir das cinco horas, Missas festivas e leilões de prendas as mais variadas e inclusive de gado, suínos, equinos, caprinos, aves e etc.”


Esta antiguíssima tradição chegou até os nossos dias em nossa Senador Firmino, não com tão grande força como antes. Durante toda a minha infância lembro como já não era tão forte a participação das moças. Mas, segundo já ouvi de muitos, ainda por volta dos anos 90 a festa ainda era bela e apoteótica. Acontecia durante os 30 dias do mês de maio coroações e celebrações, tendo muitas vezes, que haver duas corações, em uma só noite, da tamanha quantidade de crianças para coroar. E mantinha ainda a tradição da Banda de Música de buscar as “coroadeiras” em suas casas, disso me lembro bem. Além disso, havia nas casas, seja das moças, ou até mesmo casas sorteadas, a oração do terço todas as noites e uma procissão para o Santuário (inclusive durante algum tempo estive ajudando a organizar este mês tão bonito) acompanhada ora com a banda, ora com cânticos e orações. A festa era bonita, enquanto criança, eu, muito travesso, lembro bem, que no meio daquela quantidade de meninas, eu e um amigo, nos misturávamos no meio pra apanhar cartuchos de doces. Este era outro costume tão belo: as mães, as famílias se uniam nas casas durante este mês para fazer e embalar os doces, algo que não era diferente durante o mês de junho em que fazíamos o desagravo ao Coração de Jesus (tive a oportunidade de fazer o desagravo até os 12 anos de idade).

Toda esta história trago com imensa alegria e nostalgia em meu coração. Não podemos jamais perder de vista nossa história, por mais que muitas coisas não voltem a serem celebradas como antes. Não relembro com espírito de saudosismo (no sentido de se ter saudade de algo não vivido ou um gosto demasiado do passado), pelo contrário, lembro de tudo isso, para mostrar que muitas coisas vão se perdendo e perdendo inclusive nossa história. Tudo isso, por passarmos tão rápido para uma era egocêntrica e individualista, uma era marcada pelos desencontros. Igualmente isso, influencia igualmente na vivência da fé. Por isso, enquanto firminenes devemos relembrar com alegria nossa história e muitas das vezes, incentivar os filhos, e as futuras gerações para reacendermos neles o espírito da comunhão fraterna e do encontro, o que faz muita falta na era da tecnologia. Inclusive, no âmbito da fé, mostrar e passar a eles os valores apreendidos na infância, não deixemos perder nossa história e tradição. Assim, deixo alguns traços da bela imagem que tenho da fé do meu povo, das homenagens a Virgem da Conceição feitas pelas crianças de nossa cidade. Para que, no futuro próximo sejamos interpelados e motivados a reacender em nós a chama desta bela devoção e tradição que são as coroações e para que nunca percamos de vista nossa bela história.

Wesley Pires dos Santos











CANTO TRADICIONAL DE CORAÇÃO EM SENADOR FIRMINO

“Cantar hinos de alegria
Hoje vimos a este altar
Com louvores a Maria
Muitas flores lhes ofertar

Mês das flores, mês de alegria
De lindo cantos, mês de Maria

Esta palma, Virgem Maria
Que deponho em vossas mãos
É imensa alegria
Que invade meu coração

Este véu cuja beleza
Hoje venho te oferecer
Simboliza tua pureza
Ó Maria, Mãe de Deus

Virgem Santa Imaculada
Mãe de nosso Bom Senhor
A coroa tão sagrada
Eu vos oferto com todo amor”