sexta-feira, 20 de julho de 2018

O VERDADEIRO AMIGO




Dia do Amigo é todo dia sabemos muito bem disso. Mas de forma especial celebramos neste dia 20 de julho o Dia Mundial do Amigo. Poderíamos perguntar: Mas porque uma data específica para celebrar o Dia do Amigo, isso tem que ser todo dia. Disso sabemos que é verdade. No entanto, isso não exclui o valor incondicional de se dedicar um dia especificamente para tal comemoração. Diria ainda mais, que seria uma grande Solenidade que deve ser celebrada com grande pompa. Principalmente, no mundo individualista e egocêntrico em que vivemos, no qual cada um só pensa em si mesmo e esquece de olhar para o lado, e perceber pessoas boas que podem ser auxílio em sua caminhada, para que a vida seja vivida com mais suavidade e leveza.

A própria Palavra de Deus nos mostra o quão imenso é o valor de uma grande amizade. Gostaria de começar pela que mais me toca. No Evangelho de Marcos capítulo 15, versículo 21 diz: “Passava por ai um homem chamado Simão Cirineu, pai de Alexandre e Rufo. Ele voltava do campo para a cidade. Então os Soldados obrigaram Simão a carregar a cruz de Jesus.” Penso que esta passagem exemplifica muito bem a imagem de uma amizade verdadeira. Jesus estava a caminho do Calvário, estava dando sua última caminhada deixando cravado pelo caminho por meio de seus passos toda a sua história e estava só, uma vez que, até mesmo os seus discípulos o havia deixado, menos João, o discípulo amado, sua mãe e algumas mulheres. Mas eis, que neste caminhado um camponês, desconhecido de Jesus é obrigado a carregar a cruz, para ajudar aquele que se tornaria o seu mais novo e único amigo. Os olhares se entrelaçaram e aquele encontro foi de fato um encontro de toda uma vida, para toda a vida. A vida do camponês Simão Cirineu se transformou de uma vez por toda, com o olhar de Amor e Misericórdia, e com isso, continuou o caminho para cruz junto ao seu mais novo amigo, o ajudando a carregar aquele pesado fardo que salvaria toda a humanidade de seus pecados.

O verdadeiro amigo é presente dado por Deus. A bonita passagem em que Jesus chama os seus discípulos de amigos em João capítulo 15, versículo 15 diz: “Eu já não vos chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que o seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos” e diz ainda no versículo anterior, versículo 13: “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos”. Eis o maior exemplo de como deve ser nossa Amizade. Amizade é doação, o Amor se resume a isso, a doar a vida pelo outro. O verdadeiro amigo é aquele que caminha conosco seja na alegria, seja na farra, seja na tristeza ou na desolação. Já dizia Fernando Pessoa: “Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.”

Ser amigo é isso, é ser também irmão. O amigo verdadeiro é o que pode te ver com o rosto bonito, mas também com o rosto desmazelado, mesmo assim ele é capaz de permanecer do seu lado para te ajudar a carregar a Cruz. É aquele que mesmo não sendo sangue do seu sangue, consegue derramar o sangue por você. Mas, lembre o amigo não é feito para carregar a cruz para você, mas para ser apoio. Como bem diz o livro do Eclesiástico capítulo 6, versículo 14-17: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá também uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante”. Os amigos são presentes de Deus para nós, são pérolas preciosas que devem ser cuidadas e preservadas. Nunca se esqueça de dizer ao seu amigo o quanto o ama, abrace, perdoe sempre, ame mais, sorria mais, bagunce mais. Contudo, leve a vida com humor e leveza, partilhando cada momento com eles, sejam os felizes, sejam os de grandes dificuldades. Feliz Dia do Amigo.

Wesley Pires dos Santos



terça-feira, 10 de julho de 2018

A DEFESA DA VIDA DESDE A SUA CONCEPÇÃO



Ousadamente surge diante de nós discursos relativistas que consideram o ser homem não como fim em si mesmo, mas apenas como meio para se alcançar outros objetos que sejam do interesse de uns poucos, e ao invés de debater e buscar uma reflexão mais abrangente, antes de tudo querem ridicularizar os que são contra tais pensamentos. O grande risco que corremos em tempos hodiernos é da volta a um ideal nazista, uma doutrina perfeccionista, da qual seleciona os melhores e mais perfeitos e descarta os que de forma alguma terá utilidade no mercado. Eis o grande ideal que busca alcançar uma sociedade que vive em prol de uma economia excludente. É neste contexto que se insere sutilmente os argumentos pró-aborto e sob o qual muitos cristãos católicos acabam entrando em defesa sem antes mesmo uma reflexão aprofundada sobre tal questão e até mesmo um estudo do que de fato a Igreja defende e prega.

Já dizia o filósofo e sociólogo alemão Jurgen Habermas, que a seleção dos melhores retira do sujeito sua autonomia e sua liberdade de poder decidir sobre sua própria vida e o poder ser si mesmo, existindo ou não. O mesmo podemos utilizar contra o Aborto. O homem, assumindo a sua independência na modernidade, passa a querer ter as chaves da criação, tomando o lugar do Criador. Com o avanço da biotecnologia, as intervenções científicas sobre a vida humana ganham cada vez mais força. Infelizmente, vivemos em uma cultura do descartável e do querer o direito de decidir sobre a vida de outrem, tudo em prol da técnica e do capital.

Muitos pensam que a solução para proteger a mulher e seus direitos seja o aborto. Infelizmente, este é um dos vários argumentos daqueles que defendem a legalização do aborto. "Meu corpo, minhas regras", assim querem defender o direito da mulher em escolher sobre a vida que está sendo concebida dentro de si. No entanto, se esquecem de que o feto que ali está sendo gerado, já é outro corpo e tem suas regras próprias. Contudo, se considerar este feto como parte do corpo feminino, deve-se igualmente considerar o aborto como uma mutilação.

Eis um pensamento antropocêntrico e moderno, no qual o ser humano, ser egocêntrico e individualista só pensa em si e tratam os demais como meros objetos de consumo a seu bel prazer. Por isso, querem até mesmo interferir no material genético como meio de manipulação em prol de uma Eugenia que seja conforme o interesse de uns poucos. É um risco pensar que a legalização do aborto iria resolver todos os sofrimentos de mulheres que acorrem a Clínicas clandestinas todos os dias. Infelizmente, por traz desta defesa está com toda certeza a influência grande do “Capitalismo Selvagem” que sai ganhando em cima disso tudo, como bem demonstra o documentário "Blood Money - Aborto Legalizado". Contudo, sabemos que por detrás da defesa dessa legalização está o intuito de grandes empresas do mercado que querem manipular em vista de ganhar mais e mais.

O que desejamos defender é a Vida, tanto a vida da criança que está sendo gerada, bem como da mãe que está gerando. O Aborto traz conseqüências terríveis às mulheres igualmente, ferindo o ser humano em sua dignidade. De igual maneira, disse o Papa Francisco: “Cada ser humano descartado é uma derrota para toda a humanidade.” Além disso, continua o Papa em sua Exortação apostólica Evangelii Gaudium, n. 213-214: “Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridicularizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e, no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. […] Não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?”

Por fim, concluo expondo aqui os parágrafos 2270 e 2271 do Catecismo da Igreja Católica que diz: "A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: "Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido. Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. “Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis.” Tudo isso, para refletirmos mais sobre a Vida e a defesa da Igreja. Que sejamos nós cristãos os protagonistas de um mundo novo, um mundo que não exclua ou descarte nenhum ser humano, mas que todos sejam irmãos e irmãs e sintam amados e respeitados em sua dignidade.

Wesley Pires dos Santos