terça-feira, 10 de julho de 2018

A DEFESA DA VIDA DESDE A SUA CONCEPÇÃO



Ousadamente surge diante de nós discursos relativistas que consideram o ser homem não como fim em si mesmo, mas apenas como meio para se alcançar outros objetos que sejam do interesse de uns poucos, e ao invés de debater e buscar uma reflexão mais abrangente, antes de tudo querem ridicularizar os que são contra tais pensamentos. O grande risco que corremos em tempos hodiernos é da volta a um ideal nazista, uma doutrina perfeccionista, da qual seleciona os melhores e mais perfeitos e descarta os que de forma alguma terá utilidade no mercado. Eis o grande ideal que busca alcançar uma sociedade que vive em prol de uma economia excludente. É neste contexto que se insere sutilmente os argumentos pró-aborto e sob o qual muitos cristãos católicos acabam entrando em defesa sem antes mesmo uma reflexão aprofundada sobre tal questão e até mesmo um estudo do que de fato a Igreja defende e prega.

Já dizia o filósofo e sociólogo alemão Jurgen Habermas, que a seleção dos melhores retira do sujeito sua autonomia e sua liberdade de poder decidir sobre sua própria vida e o poder ser si mesmo, existindo ou não. O mesmo podemos utilizar contra o Aborto. O homem, assumindo a sua independência na modernidade, passa a querer ter as chaves da criação, tomando o lugar do Criador. Com o avanço da biotecnologia, as intervenções científicas sobre a vida humana ganham cada vez mais força. Infelizmente, vivemos em uma cultura do descartável e do querer o direito de decidir sobre a vida de outrem, tudo em prol da técnica e do capital.

Muitos pensam que a solução para proteger a mulher e seus direitos seja o aborto. Infelizmente, este é um dos vários argumentos daqueles que defendem a legalização do aborto. "Meu corpo, minhas regras", assim querem defender o direito da mulher em escolher sobre a vida que está sendo concebida dentro de si. No entanto, se esquecem de que o feto que ali está sendo gerado, já é outro corpo e tem suas regras próprias. Contudo, se considerar este feto como parte do corpo feminino, deve-se igualmente considerar o aborto como uma mutilação.

Eis um pensamento antropocêntrico e moderno, no qual o ser humano, ser egocêntrico e individualista só pensa em si e tratam os demais como meros objetos de consumo a seu bel prazer. Por isso, querem até mesmo interferir no material genético como meio de manipulação em prol de uma Eugenia que seja conforme o interesse de uns poucos. É um risco pensar que a legalização do aborto iria resolver todos os sofrimentos de mulheres que acorrem a Clínicas clandestinas todos os dias. Infelizmente, por traz desta defesa está com toda certeza a influência grande do “Capitalismo Selvagem” que sai ganhando em cima disso tudo, como bem demonstra o documentário "Blood Money - Aborto Legalizado". Contudo, sabemos que por detrás da defesa dessa legalização está o intuito de grandes empresas do mercado que querem manipular em vista de ganhar mais e mais.

O que desejamos defender é a Vida, tanto a vida da criança que está sendo gerada, bem como da mãe que está gerando. O Aborto traz conseqüências terríveis às mulheres igualmente, ferindo o ser humano em sua dignidade. De igual maneira, disse o Papa Francisco: “Cada ser humano descartado é uma derrota para toda a humanidade.” Além disso, continua o Papa em sua Exortação apostólica Evangelii Gaudium, n. 213-214: “Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridicularizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e, no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. […] Não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?”

Por fim, concluo expondo aqui os parágrafos 2270 e 2271 do Catecismo da Igreja Católica que diz: "A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: "Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido. Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. “Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis.” Tudo isso, para refletirmos mais sobre a Vida e a defesa da Igreja. Que sejamos nós cristãos os protagonistas de um mundo novo, um mundo que não exclua ou descarte nenhum ser humano, mas que todos sejam irmãos e irmãs e sintam amados e respeitados em sua dignidade.

Wesley Pires dos Santos







sexta-feira, 11 de maio de 2018

O MÊS DE MARIA: desde Conceição do Turvo a Senador Firmino




As coroações e homenagens a Virgem Maria no mês de maio é uma antiga tradição que remonta o século XIII, quando São Felipe Neri começou as homenagens a Maria durante o mês de Maio, ofertando a ela belas flores, já que na Europa neste período é Primavera. Fazia-se isto, considerando a Virgem Maria, como a rosa mais bela do jardim de Deus. De igual maneira, esta tradição foi se espalhando por toda a Europa, e se fortificou no século XIV, em Paris na França. A tradição chegou ao Brasil por meio dos Portugueses, trazendo já o costume de se corar a Imagem de Nossa Senhora, reconhecendo-a como Rainha do Céu e da Terra, sendo ela igualmente Mãe do Rei Jesus Cristo. Essas celebrações foram bem acolhidas pelas Minas Gerais, se espalhou rapidamente, se tornando tradição nas terras mineiras. 

Em nossa Arquidiocese de Mariana a tradição chegou por volta do ano de 1850 quando Dom Viçoso trouxe para Mariana a Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo para formar e educar as moças, fundando assim a primeira escola feminina de Minas: o Colégio Providência. Nas escolas católicas, ao longo dos séculos, gerações aprenderam os valores da fé com a vida dos santos, com as celebrações, através dos teatros, das reflexões e, além disso, igualmente a devoção a Virgem Maria ensinada pelas filhas da Caridade. Segundo alguns relatos, durante o mês de maio as moças do colégio homenageavam a Virgem Maria com as coroações. Tradição esta, muito forte também na França onde a Congregação foi fundada. Desta forma, a tradição foi se espalhando e ganhando força em todo o território da imensa Arquidiocese de Mariana, chegando igualmente em Conceição do Turvo.

Em Conceição do Turvo o mês era celebrado com toda pompa e solenidade, isso nos conta Pe. Miguel Fiorillo em seu livro "Senador Firmino conta História": “O mês de maio em Conceição do Turvo se transformava em grande acontecimento. Todas as noites havia rezas, Missa e coroação da Imagem de Nossa Senhora da Conceição. A corporação Musical comparecia à casa dos coroadores e os levava em procissão até a Igreja, era uma apoteose, dependendo da condição da família. Em seguida aos atos religiosos acontecia o leilão todas as noites, e no último dia do mês uma magnífica festa que animava toda a Vila.

Durante o mês de maio acontecia um concorridíssimo leilão com grandes variedades de prendas: doces, frutas, salgados, trabalhos artesanais e etc. Os leilões eram arrematados; quando frutas, eram dadas para as crianças e quando se tratava de um donativo de mais valor era arrematado e levado para casa. E quando era uma prenda vinda de casa de algumas das belas moças de Conceição, os namorados ou pretendentes disputavam-nas lance por lance para fazer média diante da pretendida, e enquanto isto a Banda de Música entoava os mais belos dobrados que eram somados ao valor da prenda.Na véspera da festa entusiasmo total, procissão da Bandeira, Rezas, Missas, Pregação e levantamento do Mastro, e no outro dia, dia da festa, alvorada festiva a partir das cinco horas, Missas festivas e leilões de prendas as mais variadas e inclusive de gado, suínos, equinos, caprinos, aves e etc.”


Esta antiguíssima tradição chegou até os nossos dias em nossa Senador Firmino, não com tão grande força como antes. Durante toda a minha infância lembro como já não era tão forte a participação das moças. Mas, segundo já ouvi de muitos, ainda por volta dos anos 90 a festa ainda era bela e apoteótica. Acontecia durante os 30 dias do mês de maio coroações e celebrações, tendo muitas vezes, que haver duas corações, em uma só noite, da tamanha quantidade de crianças para coroar. E mantinha ainda a tradição da Banda de Música de buscar as “coroadeiras” em suas casas, disso me lembro bem. Além disso, havia nas casas, seja das moças, ou até mesmo casas sorteadas, a oração do terço todas as noites e uma procissão para o Santuário (inclusive durante algum tempo estive ajudando a organizar este mês tão bonito) acompanhada ora com a banda, ora com cânticos e orações. A festa era bonita, enquanto criança, eu, muito travesso, lembro bem, que no meio daquela quantidade de meninas, eu e um amigo, nos misturávamos no meio pra apanhar cartuchos de doces. Este era outro costume tão belo: as mães, as famílias se uniam nas casas durante este mês para fazer e embalar os doces, algo que não era diferente durante o mês de junho em que fazíamos o desagravo ao Coração de Jesus (tive a oportunidade de fazer o desagravo até os 12 anos de idade).

Toda esta história trago com imensa alegria e nostalgia em meu coração. Não podemos jamais perder de vista nossa história, por mais que muitas coisas não voltem a serem celebradas como antes. Não relembro com espírito de saudosismo (no sentido de se ter saudade de algo não vivido ou um gosto demasiado do passado), pelo contrário, lembro de tudo isso, para mostrar que muitas coisas vão se perdendo e perdendo inclusive nossa história. Tudo isso, por passarmos tão rápido para uma era egocêntrica e individualista, uma era marcada pelos desencontros. Igualmente isso, influencia igualmente na vivência da fé. Por isso, enquanto firminenes devemos relembrar com alegria nossa história e muitas das vezes, incentivar os filhos, e as futuras gerações para reacendermos neles o espírito da comunhão fraterna e do encontro, o que faz muita falta na era da tecnologia. Inclusive, no âmbito da fé, mostrar e passar a eles os valores apreendidos na infância, não deixemos perder nossa história e tradição. Assim, deixo alguns traços da bela imagem que tenho da fé do meu povo, das homenagens a Virgem da Conceição feitas pelas crianças de nossa cidade. Para que, no futuro próximo sejamos interpelados e motivados a reacender em nós a chama desta bela devoção e tradição que são as coroações e para que nunca percamos de vista nossa bela história.

Wesley Pires dos Santos











CANTO TRADICIONAL DE CORAÇÃO EM SENADOR FIRMINO

“Cantar hinos de alegria
Hoje vimos a este altar
Com louvores a Maria
Muitas flores lhes ofertar

Mês das flores, mês de alegria
De lindo cantos, mês de Maria

Esta palma, Virgem Maria
Que deponho em vossas mãos
É imensa alegria
Que invade meu coração

Este véu cuja beleza
Hoje venho te oferecer
Simboliza tua pureza
Ó Maria, Mãe de Deus

Virgem Santa Imaculada
Mãe de nosso Bom Senhor
A coroa tão sagrada
Eu vos oferto com todo amor”


sexta-feira, 16 de março de 2018

QUERIAM SANGUE E CHORO E IRA...


"Fraternidade e Superação da Violência" (CF 2018)




Eis que a Igreja surge como voz profético neste mundo e especialmente no Brasil que vivemos em pleno século XXI, um Brasil sagrento...Um Brasil que vive de máscaras e que camufla não querendo ver a verdade que está por trás dos bastidores...Eis que mais uma VOZ FEMININA foi calada, abafada, infelizmente apagada de nosso meio...O que querem com isso? Simplesmente mostrar que quem manda no Brasil são eles...Ir Dorothy Stang não foi a primeira Marielle Franco não será a última...Mais um ATO TERRORISTA e de perseguição aqueles que estão do lado dos mais pobres, daqueles que desejam ser voz dos que mais sofrem, daqueles que defendem os DIREITOS HUMANOS...Como bem se expresso Padre Zezinho "QUEM ASSASSINOU A VEREADORA NEGRA MARIELLE E SEU MOTORISTA MIRAVA O ESTADO BRASILEIRO". Este é o Brasil que temos...Brasil com INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO DE JANEIRO...O que queremos? Investimento na EDUCAÇÃO, na SAÚDE, em melhorias de vida, ou um contínuo roubo nos cofres públicos e um grande investimento nas FORÇAS ARMADAS, num MILITARISMO desenfreado, numa perca de LIBERDADE no PENSAR E NO AGIR? ANO DE 2018 Ano de ELEIÇÕES, PENSEMOS, REFLITAMOS... EM pleno contexto QUARESMAL, em pleno contexto em que a Igreja Católica no Brasil nos convida a repensar nossa atitudes quanto a VIOLÊNCIA com a Campanha da Fraternidade 2018, chamando a nossa atenção para que todos reconheçam que "Somos todos IRMÃOS", eis que acontece uma TRAGÉDIA...Que sirva de ALERTA e nos LEVE a de fato mudar nossas atitudes numa CONVERSÃO QUARESMAL...É disso que o Brasil precisa, e mudar as ATITUDES desde as bases e de MOSTRAR A FORÇA DE UM POVO QUE SAIBA DE ORGANIZAR NA PROCURA DE SEUS DIREITOS...BOA REFLEXÃO!


"QUEM ASSASSINOU A VEREADORA NEGRA MARIELLE E SEU MOTORISTA mirava o Estado BRASILEIRO. QUERIA SANGUE E CHORO E IRA. Mirava as mulheres, os negros, os pobres, os da esquerda e também a direita e a democracia no Brasil. Ninguém aceita isso exceto os que querem ver sangue no país.


FOI UM ATO TERRORISTA DE PROPORÇÃO MENOR DO QUE A DA TORRES GÊMEAS, MAS PARA O BRASIL foi GIGANTESCO, prenúncio de que querem sangue no Brasil. OS ASSASSINOS MANDARAM UM RECADO.
São os mesmos que tanto podem matar um candidato ou um juiz famoso, ou um general. Já vimos isso na Espanha, na Itália e no Egito e em mais de vinte países. Dessa vez o alvo é o Brasil .
ESTÃO DIZENDO QUE O BRASIL NÃO É DE NADA; que podem mandar as forças armadas para o Rio, que eles (?) não têm medo de ninguém !
Veremos no que vai dar. Mas não vai acabar em pizza. Não dessa vez! Não apenas pela mulher negra política e de esquerda. Mas pela desfaçatez de mostrar que quem manda no BRASIL SÃO ELES. Farão isso com outros quando quiserem .
É isso que veremos depois desse 15 de março!" (Pe Zezinho).

domingo, 24 de dezembro de 2017

DEUS SE FEZ UM DE NÓS


(Solenidade do Natal do Senhor)

            “Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem. ‘Desperta, tu que dorme, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá (Ef 5, 14). Por tua causa, repito, Deus se fez homem” (Santo Agostinho). Tamanha é a importância da festa que celebramos hoje, que fizemos uma preparação de quatro semanas através do tempo que precedeu o Natal do Senhor que é o tempo do advento. Deus se fez um de nós e veio a este mundo por meio da simplicidade, aceitando nascer numa simples manjedoura.
            Celebramos com imensa alegria o Natal do Senhor Jesus. “Hoje na cidade de Davi nasceu para vós um Salvador que é Cristo o Senhor” (Lc 2, 11). Maria com o seu Sim deu a Luz ao Salvador do mundo. Não encontrando lugar para se hospedar, teve que procurar abrigo numa pequena gruta, em meio aos animais, como fazia muito frio na terra de Belém fora aquecido o menino-Deus pelos próprios animais e se acalentou no feno da manjedoura.
            O mistério que celebramos nesta dia é de estupenda maravilha. Podemos dizer como São Paulo: “Agora este mistério foi manifestado e, mediante as Escrituras proféticas, conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé” (Rm 16, 26). O mistério de um Deus tão grande que assumiu a nossa pequenez, se fez criança, habitou nossa humanidade se fez conhecido entre todos, pequenos e grandes, mas especialmente entre os mais humildes. Infelizmente em nosso tempo o aniversariante fica esquecido dando lugar aos presentes e ao Papai Noel. Precisamos resgatar o verdadeiro espírito do Natal, precisamos resgatar o Natal Cristão que está perdido neste emaranhado mundo capitalista do comércio.
O Natal do Senhor quer fazer de nós homens novos para construirmos um mundo novo, mundo no qual reine a Esperança e não o desânimo. O próprio Cristo quer nos mostrar que o caminho para que o Reino de Deus aconteça é o caminho da humildade, não o caminho da arrogância e do egoísmo como fizera Herodes com medo de perder o posto e seu poder de Rei. O verdadeiro Rei nasceu numa manjedoura em meio aos animais, nasceu na pobreza e viveu com os pobres, não nasceu em berço de ouro.
Por isso, é tempo de mudança, tempo de Esperança. O Cristo Senhor deseja também neste dia renascer no coração de cada cristão. Deseja que cada um de nós façamos deste mundo “a grande casa do Pão”, onde não falte o pão de cada dia a nenhum de nossos irmãos, onde todos vivamos em paz e em harmonia, onde haja fraternidade e mais igualdades entre as pessoas. A festa do Natal independente da religião é a festa do AMOR. Que aprendamos com o Cristo a AMAR cada vez mais e a fazer de nossa vida uma constante oblação de Amor. EIS O NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Feliz e Santo Natal Cristão a todos vocês.


Wesley Pires dos Santos


KALENDA DE NATAL

Transcorridos inumeráveis séculos da criação do mun-do
desde que Deus, no princípio, criou o céu e a ter--ra
e formou o homem à sua ima - - gem;
Transcorridos também muitos séculos/ desde que o Altíssimo, passado o dilúvio,
pôs um arco nas nu - vens,/ sinal de alian - ça e - de paz;
No século vigésimo primeiro da migração de Abraão__ ,/ nosso pai na fé__ / de Ur dos Cal - deus;
No século décimo tercei - ro da saída do povo de Israel do Egi - to,/ conduzido por__ Moi - sés;
Cerca de mil anos da unção__ de Davi co - mo rei;
Na sexagésima quinta sema - na,/ conforme a profecia de Daniel__
Na centésima no_nagésima quarta O – lim - pí___ - a - da;

No setingentésimo quinquagésimo segundo a – no/ da fundação de Ro__ - __ ma;
No quadragésimo segundo a - no do im__pério de Otaviano Augus - to,/ estando todo o mundo em paz_
JESUS CRISTO, ETER - NO DEUS__ E FILHO DO ETERNO PAI__,
querendo consagrar o mun – do/ com sua piedosíssima vin - da,
pelo Espírito Santo concebi - do,/ passados nove meses da concepção,
em Belém da Judeia, nas__ce, da Virgem Maria, feito homem:
Na__tal de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a carne.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

“QUANDO UM TRANQUILO SILÊNCIO ME ENVOLVE...” (Sb 18,14)

       
   
        Mas como pode o Senhor Jesus estar neste pequeno pedaço de pão escondido no Sacrário diante da minha presença, tendo ao lado uma luz pequena e vermelha sempre a fumegar como uma chama de fogo? Eis o grande mistério e milagre de nossa fé que ninguém pode desvendar a não ser a luz da fé. Eis que neste momento diante de Ti Senhor, me deparo comigo mesmo, ser de grandeza e de misérias, a contemplar o próprio Deus escondido no silêncio, neste pequeno pedaço de pão, eis que me sacio somente com o cantar dos pássaros e com o próprio silêncio que me envolve. Realmente não sei o que explicar, nem o que falar racionalmente. No entanto, posso testemunhar que é uma PAZ muito envolvente e um AMOR que sacia o fundo do meu ser. Posso ficar uma tarde toda estudando, lendo bons livros espirituais, jogando, ouvindo músicas, assistindo filmes, desenhos, estando nas redes sociais, etc. Tudo isso não me leva ao descanso, como quando em poucos minutos diante de Tua presença entrego toda minha vida, com tudo o que ela tem: alegrias, preocupações, medos e incertezas... Enfim, quando fatigado unicamente me entrego ao Teu Amor de Irmão e de Pai, amigo mais que fiel. Contudo, posso dizer que foram tantos desafios, tantas preocupações e angústias... Mas ainda assim, foram as vindas diante deste Tesouro de Amor escondido sob a espécie do Pão Eucarístico que me sustentou e me fez chegar até aqui e conhecer a verdadeira felicidade. Por fim, a única palavra que posso dizer é GRATIDÃO, porque nem mesmo as palavras são capazes de explicar o tamanho que é o AMOR de Deus por nós e o quanto Ele nos ajuda caminhando a nossa frente, ao nosso lado e até mesmo atrás, para nos defender. Com alegria, posso dizer que sempre é o Teu AMOR que nos sustenta.

O SILÊNCIO da ORAÇÃO nos envolve e nos leva a Deus e ao mais profundo do nosso ser nos dando palavras de GRATIDÃO. Por isso, resolvi partilhar este momento gratificante que eu tive nesses últimos dias em que caminho para a conclusão do curso de Filosofia. Somente tenho palavras de GRATIDÃO Aquele que me trouxe até aqui.



Wesley Pires dos Santos


Capela do Seminário de Filosofia
(Lugar durante esses três anos pude sempre me recolher em oração)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O MISTÉRIO DA MORTE


Comemoração dos Fiéis Defuntos

Ó mistério insondável, ó mistério difícil de desvendar. “É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto” (GS, 18). Assim é a realidade da Morte, mistério do qual nem mesmo a ciência foi capaz de mostrar de fato a partir da realidade empírica o que se passa após a morte, ou se a vida acaba com a morte. Neste sentido, proponho esta reflexão, no dia em que comemoramos todos os fiéis Defuntos. Comemorar é sem dúvida trazer a memória do nosso coração tantas pessoas que encerraram a sua trajetória neste mundo.
             Muitos devem se perguntar: porque comemorar o dia daqueles que já morreram? Podem pensar, tudo passa, nós passaremos, todos um dia morreremos e com a morte tudo encerrará. Por isso, dizem: vamos aproveitar a vida da melhor forma possível. Esse é um pensamento fatalista da morte, ou seja, viver o hoje da vida, sem a esperança de algo que está para além da realidade humana deste mundo, pensamento este que tem proliferado tanto em nosso mundo contemporâneo. Ao contrário, Comemorar todos os fiéis Defuntos, não é apenas lembrar para sentir tristeza ou cutucar uma ferida que dói. Comemorar é trazer a memória do coração todos os que já não se encontram mais junto de nós neste mundo, mas que de alguma forma com seus gestos marcaram a história de nossa vida.
            A tradição de se comemorar o dia de Finados remonta o século II da era cristã. Desde a origem do cristianismo em que se rezam nas catacumbas era costume se rezar pelas almas dos mártires. O dia 2 de novembro foi instituído para ordem beneditina, como dia de todos os fiéis falecidos pelo monge Odilo de Cluny em 998. Posteriormente, no século XII esta comemoração se popularizou no mundo cristão, sendo celebrada por todos.
            Alguns podem se perguntar por que rezar pelos que já morreram? E ainda afirma: tudo se acabou com a morte. Este é um argumento dos pensadores modernos. Penso que nosso Deus não é o Deus dos mortos, mas o Deus dos vivos, uma vez que, todos vivem para ele (cf. Lc 20, 38), ou seja, nosso Deus nos criou para a eternidade e não para este mundo, no qual finalizamos nossa caminhada com a morte. Por isso, todos os que morreram na justiça de Deus, se encontram sem dúvida junto Dele, pois o próprio livro da Sabedoria (Sb 3,1) nos garante que “A vida dos justos está nas mãos de Deus” e continua dizendo “Aos olhos dos insensatos, aqueles que pareciam ter morrido, e o seu fim foi considerado como desgraça. Os insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora estão na paz. As pessoas pensavam que os justos estavam cumprindo uma pena, mas esperavam a imortalidade” (Sb 3, 2-4).
Hoje somos convidados a rezar, portanto, por todos os nossos antepassados, bem como também todas as almas, principalmente as mais esquecidas, para que purificadas encontrem em Deus o seu refúgio. De acordo com a nossa fé, não só podemos, como devemos rezar pelos mortos, uma vez que, acreditamos que mesmo que tenham morrido em pecado, tem igualmente a chance de se purificar para entrar nas alegrias eternas, passando pelo purgatório (lembrando que céu, purgatório e inferno não é lugar, mas estado que a alma experimenta). A própria Escritura nos mostra esta realidade do purgatório: “No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro” (Mt 12, 32). Contudo, devemos rezar por estes que se encontram no purgatório cumprindo aquilo que nos mostra em Macabeus; “Eis por que [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado” (2Mc 12, 45).
Assim concluo, com o que disse Blaise Pascal (Pens., 781) “Jesus Cristo, redentor de todos’. Sim, porque ele ofereceu, como um homem que resgatou todos os que queriam ir a ele. Os que morrerem no caminho terão sido infelizes; mas ele lhes oferece a redenção”. Com isso, tenhamos sempre a esperança na vida com Cristo que está por vir, nunca percamos esta esperança, não é uma perca de tempo acreditar na Ressurreição. Conforme diz São Paulo, “Se Cristo não ressuscitou vã é nossa fé, se os que morrem não ressuscitam então somos testemunhas falsas de Deus” (cf. 1 Cor 15, 14-15). Por isso, vivamos bem na esperança de alcançar a vida eterna junto de Deus e rezemos por todos os que já partiram, para que eles também sejam nossos intercessores junto de Deus. No último dia poderemos enfim contemplar Deus face a face, tal como Ele é, e sermos convidados para o Banquete que nunca tem fim. Por fim, poderemos festejar juntos enquanto Igreja, novo povo escolhido e resgatado.

 “Nele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que crêem em vós, a vida, não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível” (Prefácio dos fiéis Defuntos I)



Wesley Pires dos Santos