segunda-feira, 31 de maio de 2021

MARIA CAMINHA E CONVIDA-NOS A CAMINHAR JUNTOS!

 


    Encerramos hoje o mês de Maio, Mês de Maria com a festa litúrgica que relembra o que contemplamos todas as semanas quando rezamos o segundo mistério gozoso do Rosário, os mistérios da alegria. Celebramos a grande alegria da manifestação do encontro entre duas mães que estão para gerar uma, o último dos profetas, João Batista; outra, o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo. Gostaria de chamar a festa da visitação como a festa do encontro, a festa da proximidade. Encontro de Deus com seu povo, já não há mais separação entre divino e humano, entre sagrado e profano. Maria só foi rainha, só foi a cheia de graça porque foi plenamente mulher. Já dizia um certo teólogo que “quanto mais humanos formos, mais divinos seremos”. Poderíamos então nos perguntar: mas o que fez este encontro ser uma festa da Alegria? Na primeira leitura, Sofonias vai dizer que Deus habita no meio do povo, movido pelo amor, por isso, não tememos mais o mal, porque do encontro de Deus para com o seu povo resulta reconciliação e comunhão. A alegria que resulta deste encontro não é, pois, fantasia, mas profunda realidade que procede da paz com Deus. ENCONTRO que gera VIDA e ESPERANÇA. É Deus que monta sua tenda entre nós, um Deus encarnado, assumi toda nossa condição, menos o pecado, um Deus próximo, Deus presente, Deus-conosco.

A alegria do Evangelho é alegria que vem do alto mas que, ao mesmo tempo, deve surgir de um coração de homem: é uma alegria divino-humana. É a alegria Pascal que nos transforma, quando nos deixamos também nós sermos movidos por aquele obediência total de Jesus com o Pai, a ponto de doar a própria vida pela salvação de todos. Foi movida por esta alegria que Maria hoje sai de sua pequena Nazaré, sai de si mesma, deixa as estruturas cômodas, como perfeita discípula para melhor servir e fazer a vontade de Deus. Por isso, ela sai apressadamente, quer dizer em prontidão para servir, sai de sua comodidade, ela também grávida, também necessitada, com suas dificuldades próprias, poderia muito bem permanecer em Nazaré e cuidar de si mesma e de seus afazeres. Mas não, ela decide por colocar a sua vida em sacrifício pelos necessitados, decide renunciar a ser o centro, ao seu próprio eu egoísta, deixa a preguiça e qualquer outro obstáculo, para viver a Festa do ENCONTRO, a festa da FRATERNIDADE, a festa da PROXIMIDADE que a concede a verdadeira alegria.

Thomas Merton na obra “Homem algum é uma ilha” diz que: “A verdadeira felicidade encontra-se no amor generoso, no amor que aumenta à medida que é repartido. O melhor modo de amar a si mesmo é amar os outros. É na atividade desinteressada que melhor realizamos as nossas capacidades de ser e de agir. Assim, um padre não pode estar em paz consigo ou com Deus se não se esforça por amar os outros com um amor que é, sobretudo, o de Deus.” E não foi isso que fez Maria em sua visitação? Ela sobe as montanhas para a casa de Zacarias e Isabel para ali gerar vida, esperança e alegria. É o Encontro com o diferente. Maria, uma jovem moça, símbolo da Nova Aliança de Deus com o seu povo. Isabel, uma anciã, símbolo da Antiga Aliança, que espera tornar-se mãe; Zacarias, o último dos patriarcas. Maria vai para comunicar esta imensa alegria que sentia pelo prodígio da obra de Deus operada em sua vida. Assim, com o Magnífica, sentimos a força profética desta jovem mulher, que só foi rainha, porque se despojou de si mesma para fazer a vontade de Deus, e por isso, agora canta o agir salvífico de Deus na vida do seu povo, especialmente os mais pobres, por meio dela. Ele que “derruba do trono os poderosos e eleva os humildes”.

Deus habita a história, não mais em templos de pedras, mas arma sua tenda no coração de cada homem e de cada mulher de todos os tempos, gerando serviço, fraternidade, amor e esperança. Maria é mulher da Alegria, porque nesta visita não leva a si mesma, mas carrega em seu ventre Jesus. Em tempos tão difíceis, onde o povo sofre, onde há tantas pessoas doentes, onde há sofrimento, cansaço, desesperança, muito individualismo. Penso que a festa de hoje nos faz um grande convite, principalmente a nós que agora mesmo seremos ministros ordenados. Esta festa nos concede pistas de como deve ser o padre deste século. Espelhemos em Maria para melhor viver nosso ministério. Peçamos a Ela que sempre nos inspire a sairmos de nós mesmos para melhor servir, para que celebremos o Encontro com todos, especialmente com o diferente, como os mais pobres e sofredores, para que amemos mais, para sermos mais profetas. Isso é o que o mundo espera de nós, que saiamos apressadamente para as regiões onde ninguém vai, para sermos homens da proximidade, para escutar a quem ninguém escuta, para comunicarmos gestos de hospitalidade. O povo não espera que sejamos perfeitos, mas o padre santo, ou melhor que busca a santidade, é aquele que é próximo, cheio de compaixão e de misericórdia, para com o povo. Que a Virgem Maria, perfeita discípula nos ajude neste caminho de configuração. Maria é aquela que caminha e convida-nos a caminhar juntos.


Reflexão feita na Santa Missa da festa da Visitação de Nossa Senhora,
 no dia 31 de maio de 2021, na Capela do Seminário São José,
 para os irmãos seminaristas.

Wesley Pires dos Santos
4º ano de Teologia


Um comentário:

  1. Parabéns, Wesley. Que Deus te abençoe sempre 🙏🤗😴
    Madrinha Inez te ama de coração!!!
    A Palavra de Deus é a nossa salvação. Viva Maria, a Mulher concebida sem o pecado original e predestinada a ser a Mãe do Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém 😱🤗

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